História do "Lapa Azul"

O Preço da Liberdade

Hoje, 21 de fevereiro, as redes sociais estão repletas de artigos acerca da tomada do Monte Castello pela Força Expedicionária Brasileira (FEB), há 71 anos.

A conquista do bastião nazista, após duas tentativas infrutíferas, promoveu o surgimento de polêmicas e mitos que atravessam as décadas. Ainda há muito a ser pesquisado e trazido ao público, tanto nos registros oficiais brasileiros quanto nos alemães e norte-americanos. Nesse contexto, as mídias sociais são um meio excepcional para a difusão do conhecimento sobre o tema, mas elas esbarram em certos limites intransponíveis.

Monte Castello close 13 ago

O Monte Castello – Modelo digital do terreno (MDT) de autoria de Durval Lourenço Pereira.

Como discutir, em alto nível, a validade da estratégia utilizada pelo comando brasileiro com quem jamais colocou os pés naquela região? Como elogiar ou censurar determinada diretriz de comando da FEB junto ao sujeito cuja maior “experiência militar” foi pertencer a um grupo escoteiro? De que forma argumentar sobre a qualidade do fuzil A, B, ou C, com o jovem cuja expertise com armas resume-se à arena de paintball? A discussão é possível, mas limitada.

Já a experiência de combate é individual, única, e perpassa a vivência de qualquer um de nós, sejamos militares ou civis. Você quer saber mais sobre a tomada do Monte Castello ou a jornada da FEB? Então procure um veterano. Ainda que a memória do velho soldado possa estar esmaecida pelo tempo, ou mesmo ser imprecisa, ela será mais valiosa do que qualquer post encontrado na internet — incluindo este. Jamais rebaixe as impressões pessoais de um pracinha diante do mais belo artigo já escrito sobre o tema por um “general de poltrona”.

Hoje vivemos em paz, livres, num regime democrático — ainda que com sérias deformidades no Brasil —, porém, nossa liberdade não nos foi dada graciosamente. Nos idos de 1944-1945, muitos dos pinheiros que hoje adornam o Monte Castello foram alimentados pelo sangue dos nossos soldados. Como diz o ditado popular norte-americano: “Freedom is not free”: a liberdade não é de graça.

veteranos

 

Fazemos parte de uma geração contemporânea dos veteranos da Campanha da Itália, e temos o privilégio de poder conversar com os seus últimos representantes. Contudo, muitos de nós ainda não se deram conta desse fato. Por isso, ao invés de gastar seu tempo com debates virtuais — não raro acalorados e inócuos — com desconhecidos, dedique hoje pelo menos cinco minutos do seu dia para dialogar com um veterano de guerra. Expresse a ele a sua gratidão. Isso é o mínimo que um verdadeiro entusiasta da memória da FEB pode fazer.

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