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Barbudos, Sujos e Fatigados

Ocorrerá no próximo dia 06 de novembro,  o lançamento do livro “Barbudos Sujos e Fatigados”, do Historiador César Campiani Maximiano. O título ressalta a verdadeira condição dos pracinhas da Força Expedicionária Brasileira (FEB), que lutaram no “front” da Itália, durante a II Guerra Mundial.

Na obra, o autor faz um retrato da campanha brasileira no conflito. Ele mostra quem eram os soldados brasileiros, como foram treinados, como enfrentaram o duro dia a dia no combate, como extravasavam a tensão nos raros momentos de lazer, como interagiram com os aliados americanos e reagiram ao inimigo ‘tedesco’ – enfim, o que os brasileiros encontraram na Europa. Nesta abordagem, o autor busca demolir visões românticas, ufanistas e maledicentes que pautaram a maioria das interpretações sobre a guerra.

O Historiador César Campiani Maximiano, Doutor em história pela USP, é um dos expoentes na preservação e difusão da memória da FEB no Brasil, já tendo lançado diversos trabalhos sobre o tema, destacando-se os livros: “Irmãos de Armas” e “Onde Estão Nossos Heróis”.

Aguardamos ansiosos o lançamento da obra, haja vista o profundo conhecimento do autor sobre o tema, baseado em depoimentos daqueles que realmente vivenciaram o horror da guerra.

O lançamento do livro terá lugar na Livraria da Vila, Rua Fradique Coutinho, 915, Vila Madalena, Tel 3814-5811, em São Paulo,das 15 às 18 horas.

O livro também está à venda na Livraria Cultura, (clique na logomarca para acessar o site)

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Um Belo Exemplo

Acaba de ser lançado o livro PRACINHAS CAMPINEIROS – Reminescências de Vidas que Fizeram História, uma antologia da vida de sete ex-pracinhas campineiros e duas de suas esposas, organizado pelo Tenente Jefferson Biajone, professor da Escola Preparatória de Cadetes do Exército, em Campinas – SP.

Por  iniciativa própria, o professor Jefferson Biajone reuniu seis alunos voluntários do seu pelotão, realizando entrevistas junto a sete veteranos e duas viúvas.

São depoimentos saborosos em sua simplicidade, que abrangem  não apenas a participação dos campineiros no conflito, mas também as suas atividades pregressas e no pós-guerra. São estórias de pessoas comuns que bem poderiam ser nossos avôs ou avós e relatam uma vida dedicada ao Brasil, seja no campo de batalha ou no meio civil.

Não bastasse terem defendido o país na guerra, vários deles foram protagonistas de eventos singulares em Campinas e região. Estiveram no início das atividades do Pólo Petroquímico de Paulínia, na posse das instalações da futura EsPCEx e nas atividades do Instituto Agronômico de Campinas, entre outras tantas.

O lançamento do livro nos remete a uma questão: se 328 cidadãos campineiros representaram dignamente a cidade na II Guerra Mundial, na mais importante participação brasileira no cenário internacional, durante o século XX, por que razão foram lançados na cidade apenas dois livros específicos sobre o tema, ao longo de 66 anos? (há também o livro “Campinas na II Grande Guerra Mundial – 1939/1945”, lançado em 1998 pela própria Associação de Veteranos de Campinas).

Campinas desponta há décadas como formidável centro tecnológico, industrial, comercial e acadêmico no Brasil. Não lhe faltam pessoas capacitadas, instruídas ou recursos materiais. Porque então esse desprezo pela memória da FEB?

Uma boa explicação provém do que é ensinado nas escolas. Tenho uma filha matriculada na 8ª série de um tradicional e conceituado colégio religioso na cidade. Qual não foi a minha surpresa, quando ao ajudá-la nos deveres de História, descobrir que o seu professor mal havia tocado no tema FEB, limitando-se a dizer que a FEB “foi apenas uma moeda de troca” usada por Getúlio Vargas para a construção da primeira usina siderúrgica nacional…

Essa é a lógica perversa que permeia o nosso meio acadêmico, relativizando e distorcendo os fatos históricos, de forma a adaptá-los à surrada ideologia marxista que prega o conflito entre o capital e o trabalho.

Desnecessário afirmar que tal lógica é prontamente abraçada por professores preguiçosos, incapazes de pesquisar sobre o tema e formarem opinião própria, acomodando-se confortavelmente na embolorada doutrinação recebida na universidade.

Dessa forma, a formidável iniciativa do professor Biajone — curiosamente professor de matemática — é um exemplo que deveria ser seguido pelos seus colegas de história.

Os autores do livro protagonizaram o resgate de um patrimônio imaterial de valor incomensurável — talvez o último relato literário da memória viva da FEB.  Muito embora alguns compatriotas não sejam dignos do sacrifício dos nossos pracinhas, a epopéia da FEB terá sempre o apreço dos que sabem reconhecer quem são os nossos verdadeiros heróis.

Como bem definiu o organizador da obra, os relatos nela contidos são “testemunhas de que a História Pátria não se encontra encerrada nas frias estantes das bibliotecas: ela é viva, arrebatadora, pulsante, desafiadora, fascinante, e tem sido escrita por heróis que estão mais próximos do que imaginamos”.

Pracinhas Campineiros – Reminiscências de Vidas que Fizeram História
Jefferson Biajone (Org.) Vários Autores/Scortecci Editora/Depoimentos/ISBN 978-85-366-1862-3/Formato 14 X 21 cm/112 páginas/1ª edição – 2010/Preço: R$ 25,00

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