Os Homens do “Lapa Azul”

Deixando de lado, por um instante, todo o repúdio que a guerra merece, há que se reconhecer nela a oportunidade única de uma nação em se auto-avaliar.

Em poder, na comparação a outros povos, refletir sobre a sua capacidade de mobilização, a operacionalidade das Forças Armadas e, sobretudo, observar como seus filhos se portam em situações extremas.

Não foi por acaso que, ao final do século XIX, Euclides da Cunha aproveitou o seu trabalho como jornalista em Canudos para realizar um admirável estudo sobre o homem brasileiro. Em sua obra-prima “Os Sertões”, o autor comparou os tipos regionais brasileiros. Estivesse na Itália, durante a II Guerra Mundial, Euclides da Cunha poderia avaliar o soldado brasileiro com os de outras nacionalidades.

No caldo de culturas em que se transformou a península italiana, em 1944-1945, estiveram juntos norte-americanos, alemães, italianos, ingleses, franceses, sul-africanos, indianos e poloneses entre tantos outros estrangeiros. Lá também esteve o pracinha do “Lapa Azul”.

Embora em sua constituição estivessem jovens de vários estados brasileiros, a grande maioria dos integrantes do Batalhão era oriundo das pequenas cidades do interior mineiro. Desse universo vieram os cidadãos convocados e os voluntários: agricultores e empregados do pequeno comércio, em sua maioria. Formavam uma representação legítima do Brasil à época: um país predominantemente rural.

O combate é o cenário perfeito para a identificação das virtudes e fraquezas de cada ser humano. Ao enfrentar o cansaço, a fome, o frio e o medo, o homem passa agir conforme a cultura da sua terra natal. A partir desse momento, os valores recebidos irão determinar a postura do soldado diante das adversidades — especialmente o comportamento frente ao inimigo.

Uma vez retirado o tênue verniz civilizatório que recobre a natureza humana, desnudam-se comportamentos artificiais; questionam-se valores; ;descobre-se os limites da autoridade e da obediência; verifica-se até onde vai a camaradagem. Descortina-se, enfim, o real valor de um soldado, de um exército, de um povo.

Por tudo isso, a epopéia da FEB e a sua vasta bibliografia autoral formam um rico manancial para o estudo do homem brasileiro por sociólogos e pesquisadores, pois o cidadão comum foi o seu maior protagonista.

Uma vez colocado à prova, o João, o José, usou o “jeitinho brasileiro” para vencer os obstáculos, um por um. Ao treinamento fatigante, respondeu com o suor. Ao fogo inimigo, no campo de batalha, respondeu com a coragem. Aos derrotistas, em solo pátrio, nada respondeu. Nem foi preciso. Voltou coberto de glórias.

Hoje, os poucos remanescentes do “Lapa Azul” não desejam receber homenagens públicas ou mais medalhas. Desejam apenas que os brasileiros conheçam a memória do Brasil na Guerra, para que assim, possam valorizar  a paz.

Frente todas as dificuldades encontradas, o soldado da FEB cumpriu a missão recebida com honradez. O caboclo: a gente simples do interior que compôs as fileiras do III Batalhão do 11° RI soube dignificar o homem brasileiro.

Que a Pátria aprenda, também, a honrá-los!

13 respostas »

  1. sou filho do soldado ANTONIO BASTOS FILHO de CAMBORIU-SC que foi pra guerra junto com o 11RI..não tenho certeza mais acho que ele pertencia ao 3* batalhão, gostaria de saber mais sobre ele e se tem fotos..

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  2. Sra.Diana, relendo o livro:”DE SÃO JOÃO DEL REY AO VALE DO PÓ”(51),do ex-combatente e, saudoso Gentil Palhares pude verificar que seu pai, o 2ª Tenente Iporan Nunes de Oliveira pertencia a 2º Cia, do bravo 11 RI.Sua Cia era comandada pelo Capitão Silvio Scheleder Sobrinho. Na 2ª Cia também havia os seguintes oficiais:1º Tenente:Sidney Teixeira Alves; 1º Ten:Emílio Varoli, 1º Ten:Floriano Plastino Zaragosa e 2º Ten:Ary Rauen. Seu pai era natural de qual cidade?. Pois sou descendente dos Oliveira, do Campo das Vertentes.Obrigado. Marcos (Ibirité/MG).

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  3. Como filha do Ten IPORAN, que comondau o pelotão que conquistou Montese, informo com pesar o seu faleciemento no último dia 03/12/2011, aos 93 anos, próximo a completar 94 anos em 20/12.
    Parabenizo o “Lapa Azul” pelo trabalho de preservação da nossa história e da valorização dos nossos verdadeiros heróis.
    O mundo infelizmente carece de homens honrados como foi pautada a trajetria de toda sua vida. Muito além do militar, herói, ele nós brindou com sua sabedoria, honestidade,simplicidade, bom humor e disciplina.
    Costumava dizer: ” não fiz nada mais do que cumprir com a minha obrigação”, sua humildade era inversamente proporcional ao seu ato de bravura.

    Nós, filhos, bem como minha mãe, sentimos lisonjeados e confortados em poder homenageá-lo, nessa sua despedida com honras militares, oferecida pelo Exército, através do Comando da Fortaleza Santa Cruz – General Amauri Pereira Leite e o 11ª Gac – General Esteves.

    Diana Oliveira Maciel – dianaomaciel@hotmail.com

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  4. Já comprei um dvd, sobre o “Lapa Azul”; encomendei outro para dar de presente para um amigo meu de Passa Tempo,cujo pai:João Costa,foi um dos bravos integrantes do 11° RI.Este documentário é simplesmente “supimpa”, emociona e nos leva a uma época distante dos anos 40,onde a vida no planeta estava sendo conturbada pelos dementes ideais de um ditador racista. mlmlmarcoslima@gmail.com.

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  5. ´Fico emocionada com este documentário. Assisto sempre que o vejo passando em algum canal. Hoje, foi no “Tv Câmara” (canal 29-sou assinante da cabo telecom). Graças a este documentário é que me dei conta do que foi realmente a batalha de Monte Castelo, a importância de terem dominado MONTESE. É deveras uma pena, que o povo brasileiro não tenha o mais absoluto respeito e reverência por esses ex-combatentes. Uma pena que não tenha sequer o devido conhecimento da verdadeira história. Não estamos falando apenas de heróis, porque foram reconhecidamente, mas de seres humanos que doaram suas vidas para outros a tivessem. Nas escolas…. ah! nas escolas, os jovens são não educados a perceberem o horror de uma guerra de verdade, ao menos o que àqueles homens passaram, na dura jornada em que estiveram combatendo. Ouve-se, raramente, referências “aos pracinhas brasileiros”. Mas passa ao largo a importância e a história de vida, daqueles que morreram no campo de batalha e dos que sobreviveram e dos que ainda resistem ao tempo, pela cronológica da etária. Aqui deixo meu mais profundo respeito e um pedido de perdão, por somente depois de tanto tempo ter tido a noção exata do que foi a FEB e dos homens que dela fizeram parte. Um abraço. Iva ROcha (natalense/RN)

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  6. Assim ninguém vai saber do feito dos homens do brasil . O dvd sei tem um grande custo , porém devia esta grátis na net para a nação , se não fosse a tv senado nem tinha houvido esse nome Lapa azul , já ouvi senta a pua …

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  7. Na minha opinião esses são os verdadeiros heróis do Brasil. Vou fazer minha monografia na faculdade sobre os soldados da feb aqui de Sorocaba/SP.Espero estar contribuindo para divulgar a façanha dos nossos heróis aqueles que ainda
    ignoram a participação do Brasil na guerra. Que Deus continue abençoando todos os febianos que ainda estão entre nós. Um grande abraço a todos.

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  8. Amigos, hoje sem querer assisti o comentario sobre a atuação da FEB na guerra e infelizmente peguei quase no final e ouvi e vi com grande insatisfação como é olhado os que nos defenderam na época e hoje vejo com tamanha tristeza tambem o agrado que querem fazer aos jogadores de futebol que foram campeões do mundo e esquecem daqueles que foram os SALVADORES DO MUNDO. Porque ? Tenho um cunhado que infelizmente não mais se encontra conosco mas que participou ativamente com o dominio do Montese e como podemos saber se ele se encontra nesta foto que vi logo no começo. Seu nome era: Antenor Gonçalves de Oliveira, faleceu ha cerca de uns quatro ou cinco anos atraz. Sem mais e aguardando um contatode vocês,
    Jayme Francisco Nunes

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  9. O Lapa Azul
    Nossos pracinhas eram jovens …valentes homens…..
    uma das poucas páginas da nossa história que nos emociona e nos honra…..

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  10. existe um evolução muito positiva do blogue o grafismo está muito bonito e temos que ter em conta que isto resulta do esforço e dedicação quase solitária do meu amigo durval pereira eu sou portugês e tenho sempre divulagado tudo sobre o CEB neste lado do atlantico e mais uma vez vou deixar a bonita frase do padre antonio vieira grande português e brasileiro com quase 400 anos
    SE SERVISTE A PÁTRIA QUE VOS FOI INGRATA VÓS FIZESTE O QUE DEVIEIS E ELA O QUE COSTUMA
    parabéns deste português, europeu e cidadão do mundo

    rui estrela

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  11. Parabéns por esta belíssima página.

    Nossos valentes heróis da Força Expedicionária Brasileira jamais serão esquecidos.

    Agradeço aos administradores deste blog e em especial ao meu grande amigo Durval Júnior, incansável admirador dos feitos de nossos “pracinhas”

    Como filha de um herói da FEB, Major Álvaro Duboc Filho, sinto-me honrada e emocionada em deixar registrado meu comentário

    Muito Obrigada!

    Zenaide Duboc

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