
EU, O SOLDADO DE BRONZE
Por Durval Lourenço Pereira
Eu sou o Soldado de Bronze.
Eu… e o meu fuzil.
Nasci do suor dos simples: lavradores, garçons, pedreiros. Fui forjado com o metal da bravura, recebido com flores e aplausos, reverenciado pelo doutor e o operário — símbolo de um povo que ousou lutar por liberdade.
Tive irmãos — centenas deles — esculpidos por mãos talentosas ou por amor anônimo. Meu berço foi o coração das cidades, de metrópoles pulsantes a vilarejos esquecidos.
Ficamos de guarda nas praças, avenidas e memórias. Ao meu redor, crianças corriam, casais se encontravam sob a sombra de árvores frondosas. Fui vigia silencioso da paz que ajudei a conquistar.
Mas isso aconteceu há muito tempo …
Os homens que represento hoje caminham encurvados — ou já não caminham. As praças, antes repletas de vida, perderam sua essência. Vieram os malfeitores … os que nada lembram. Vejo olhares que me atravessam com desprezo, junto de expressões que desconheço: “masculinidade tóxica”…
E eu, ainda de pé, me pergunto:
“Que Brasil é este que me cerca agora?”
Já não sou memória, mas obstáculo. Alguns de meus irmãos, mesmo tombados pela Lei, foram mutilados sob a névoa da indiferença.
A mim, restou o silêncio.
Meus piores algozes não são os vândalos andrajosos, miseráveis. Absolutamente. Mas os vândalos com pedigree, membros da pseudoelite de vistoso currículo acadêmico “no Lattes”, dispostos a engendrar minha destruição sob o pretexto de “reformas urbanísticas”.
Querem me banir das praças, como quase o fizeram nas escolas. Escarnecem de mim nas universidades e agora intentam a eliminação física, como se apaga um traço de giz na lousa da memória.
Conheço o modus operandi dessa gente totalitária.
Continua o mesmo.
Eles agem como os vencidos de outrora — os que enfrentamos nas trincheiras da Europa. Ressurgiram, disfarçados, mas destilam o mesmo veneno.
Ah, se meus camaradas vissem o que vejo hoje…
Seus olhos se encheriam de lágrimas:
“Lutamos e sangramos … por isso?”
Alguns dizem me apoiar, mas temem perder seguidores e “curtidas”. Receiam desagradar tanto o algoritmo quanto a audiência multifacetada. Os covardes de tela e poltrona se encolhem em posição fetal na primeira crítica — embusteiros e poltrões! Não entendem que a guerra apenas mudou de forma.
Meu destino? Incerto.
Talvez o mesmo do País.
A depender dos homens de geleia …
Sim, é caso perdido.
Mas, enquanto houver um só olhar que ainda se comova, um só gesto de coragem e apoio,
Eu, o Soldado de Bronze, resistirei.
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Participe do nosso abaixo-assinado em defesa do patrimônio histórico da FEB na Praça do Riachuelo (Juiz de Fora).



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