2–3 minutos

EU, O SOLDADO DE BRONZE

Por Durval Lourenço Pereira

Eu sou o Soldado de Bronze.

Eu… e o meu fuzil.

Nasci do suor dos simples: lavradores, garçons, pedreiros. Fui forjado com o metal da bravura, recebido com flores e aplausos, reverenciado pelo doutor e o operário — símbolo de um povo que ousou lutar por liberdade.

Tive irmãos — centenas deles — esculpidos por mãos talentosas ou por amor anônimo. Meu berço foi o coração das cidades, de metrópoles pulsantes a vilarejos esquecidos.

Ficamos de guarda nas praças, avenidas e memórias. Ao meu redor, crianças corriam, casais se encontravam sob a sombra de árvores frondosas. Fui vigia silencioso da paz que ajudei a conquistar.

Mas isso aconteceu há muito tempo …

Os homens que represento hoje caminham encurvados — ou já não caminham. As praças, antes repletas de vida, perderam sua essência. Vieram os malfeitores … os que nada lembram. Vejo olhares que me atravessam com desprezo, junto de expressões que desconheço: “masculinidade tóxica”…

E eu, ainda de pé, me pergunto:

“Que Brasil é este que me cerca agora?”

Já não sou memória, mas obstáculo. Alguns de meus irmãos, mesmo tombados pela Lei, foram mutilados sob a névoa da indiferença.

A mim, restou o silêncio.

Meus piores algozes não são os vândalos andrajosos, miseráveis. Absolutamente. Mas os vândalos com pedigree, membros da pseudoelite de vistoso currículo acadêmico “no Lattes”, dispostos a engendrar minha destruição sob o pretexto de “reformas urbanísticas”.

Querem me banir das praças, como quase o fizeram nas escolas. Escarnecem de mim nas universidades e agora intentam a eliminação física, como se apaga um traço de giz na lousa da memória.

Conheço o modus operandi dessa gente totalitária.

Continua o mesmo.

Eles agem como os vencidos de outrora — os que enfrentamos nas trincheiras da Europa. Ressurgiram, disfarçados, mas destilam o mesmo veneno.

Ah, se meus camaradas vissem o que vejo hoje…
Seus olhos se encheriam de lágrimas:

“Lutamos e sangramos … por isso?”

Alguns dizem me apoiar, mas temem perder seguidores e “curtidas”. Receiam desagradar tanto o algoritmo quanto a audiência multifacetada. Os covardes de tela e poltrona se encolhem em posição fetal na primeira crítica — embusteiros e poltrões! Não entendem que a guerra apenas mudou de forma.

Meu destino? Incerto.
Talvez o mesmo do País.
A depender dos homens de geleia …
Sim, é caso perdido.

Mas, enquanto houver um só olhar que ainda se comova, um só gesto de coragem e apoio,

Eu, o Soldado de Bronze, resistirei.

Avaliação: 5 de 5.

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Participe do nosso abaixo-assinado em defesa do patrimônio histórico da FEB na Praça do Riachuelo (Juiz de Fora).

3 respostas para “Eu, o Soldado de Bronze”.

  1. Avatar de Eduardo Olmedo
    Eduardo Olmedo

    Sou morador de Sapucaia do Sul, cidade vizinha de Esteio. Nesta cidade (Esteio/RS), permanece vigilante um representante do contingente heroico do grupo de soldados que defenderam nosso modo de vida de hoje. Quem sabe o que teria acontecido se ele tivesse perecido naquele inferno. Voltou vitorioso, mas sem o reconhecimento devido (como todo heroi brasileiro). Infelizmente só se dá valor aos herois estrangeiros, porque não sabemos contar a historia, não sabemos honrar a história de nossos bravos nas escolas. E não falo só dos pracinhas. Muitos já nem sabem o que significa aquela estátua, aquele monumento na praça municipal de Esteio. Por isso é que os erros se repetem, por não sabermos contar nossa história, e como se quisessem que a esquecessemos.

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  2. Avatar de ULISSES VAKIRTZIS

    Honra e Glória aos nossos expedicionários!!!!!

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  3. Avatar de cleprofhist
    cleprofhist

    BRILHANTE E ELOQUENTE COMO SEMPRE! SEU AMOR E DEDICAÇÃO A FEB E AOS FEBIANOS É INSPIRADORA!

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