Operação Brasil

Mitos e Negligências

A história do Brasil na Segunda Grande Guerra teve início há 80 anos, mais precisamente em 18 de maio de 1942, quando o submarino italiano Barbarigo atacou o navio mercante brasileiro Comandante Lyra, ao largo da costa do Brasil. Curiosamente, o comandante do U-boat era um… brasileiro!

Enzo Grossi: o brasileiro comandante do Barbarigo

Descendente de imigrantes italianos, Enzo Grossi nasceu em São Paulo, em 20/04/1908. Ganhou fama por sua passagem pelas águas do Atlântico Sul em 1942, servindo à Marinha da Itália como comandante de submarino. Grossi relatou ter torpedeado e afundado dois encouraçados norte-americanos: um da classe Maryland e outro da classe Mississipi. O oficial recebeu do governo alemão, pelos supostos feitos, a Cruz de Ferro de Primeira Classe e a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro (ambas em 1942). O governo italiano alardeou as ações de Grossi, que depois da guerra mostraram-se pura propaganda, sendo oficialmente revogadas em 1949.

Arte gráfica reproduzindo a chegada do Barbarigo, após sua incursão no Atlântico Sul. Segundo o texto: “Após ter afundado duas belonaves”.
Arte gráfica italiana, mostrando o suposto afundamento de um encouraçado norte-americano pelo Barbarigo: pura invencionice.

Em maio de 1942, o Barbarigo sequer foi capaz de afundar o Comandante Lyra (foto abaixo). Por sinal, a embarcação brasileira viajava sem as marcas de neutralidade obrigatórias para a navegação em período de guerra. A guarda-costeira dos EUA registrou a chegada do Comandante Lyra poucos meses antes, em janeiro de 1942 (foto), evidenciando surpresa com a negligência de um navio mercante quanto às suas condições de navegação em tempos de guerra, em uma região sabidamente frequentada pelos U-boats do Eixo.

Fica a pergunta: a falta ou colocação incorreta das “marcas de neutralidade” — obrigatórias em tempos de guerra — em nossos navios mercantes teria ocorrido por descuido, ignorância ou de forma proposital?

Os fatos decorrentes desse episódio serão apresentados em futuras postagens. Aguardem!

A Guarda Costeira dos EUA ficou abismada com a ausência das marcas de neutralidade no casco do Comandante Lyra (na verdade, há uma minúscula bandeira do Brasil visível).

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