O pracinha Raul Kodama mostra um exemplo típico da miscigenação da Força Expedicionária Brasileira. Seu pai, Ryoichi Kodama, chegou ao Brasil em 1908, no primeiro navio vindo do Japão: o Kasato Maru, e Raul tinha apenas nove anos quando sua família veio para Presidente Prudente, no Estado de São Paulo, onde seu destino começou a ser traçado.
Aos 22 anos, fez o Tiro de Guerra e foi convocado para a Segunda Guerra Mundial no ano de 1944, aos 28 anos. “A sorte é que não sofri por ser oriental. Na Vila Militar do Rio de Janeiro, o coronel José de Souza Carvalho me tratava muito bem. Meu espírito foi preparado para a guerra!”, relata Kodama.

“Soldado não tem profissão”
Após o desembarque em Nápoles, seguiu para Livorno, Pistóia e depois Porreta Terme. Serviu na 2ª Bateria do III Grupo de Obuses 105 mm, Grupo Bandeirante.
Na Itália, ele distribuía munição para os soldados do batalhão. Acabou ferido em Porreta Terme, quando foi levar soldados para tomar banho perto do acampamento:
“Abasteci o caminhão e estava esperando para ir embora. Nisso, começou o bombardeio, e um estilhaço de bomba acertou meu pé. Senti um calor, mas não senti dor, ao rastejar fui seriamente ferido por estilhaços de artilharia inimiga, que atingiram a perna, abdômen, tórax e braço”.
“Fui levado para Pistóia, e os médicos ficavam comentando se cortariam o meu pé, mas não foi preciso. No hospital de Nápoles, conheci outro nikkei, Kyossi Hirata. Lá, usei do fato de ter feições japonesas a meu favor. Como os americanos tinham total liberdade e os brasileiros não, me fingi de descendente de japonês americano e andava livremente pelos cantos do hospital”.

“Meu capitão comandante de bateria era alemão, o coronel era português, e eu japonês”
Evacuado para tratamento nos EUA, retornou ao Brasil somente em 1946. Raul Kodama sempre demonstrou orgulho de ser brasileiro, de ter servido ao Exército na guerra, e da mistura de raças característica do Brasil: “Meu capitão comandante de bateria era alemão, o coronel era português, e eu japonês”, lembrava ele.
Em São Paulo, no ano de 1958, casou-se com Alice Yoko Yoshime, com quem teve dois filhos: Nelson e Aristeu Kodama. O pracinha conhecido por seu bom humor, e querido por todos, faleceu em 17 de outubro de 2015, com 98 anos idade.
Texto do perfil @museu_ocruzeirodosul, reproduzido com a devida autorização.

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