
A historiografia nacional sedimentou uma versão simplista e, ao mesmo tempo, errônea acerca das motivações que levaram o Brasil à Segunda Guerra Mundial. Boa parte das variantes que remetem ao episódio traz redação enganosa. Reescrevem textos antigos, que deturparam o fato histórico com propósito sensacionalista. Tudo teria acontecido por ordem de um ditador ensandecido em Berlim, que determinara o ataque à navegação brasileira em meados de 1942. Porém, esse imaginário se desfaz após a leitura do livro Operação Brasil.
O texto a seguir contém o resumo adaptado de um dos seus capítulos, elaborado com base em fontes primárias da Marinha alemã encontradas nos Bundesarchiv (Arquivo Nacional da Alemanha).
Origens
Em maio de 1942, o general Marshall, Chefe do Estado-Maior dos EUA, escreveu ao Secretário de Estado, informando o conteúdo de uma carta — que chegara “acidentalmente” às suas mãos — escrita pelo tenente-coronel Thomas B. Hall, encarregado do treinamento das tripulações brasileiras. Segundo Marshall, as 24 aeronaves americanas enviadas para a defesa do Nordeste não voavam há uma semana por falta de gasolina e pilotos. O general reclamou da situação ao Secretário de Estado, sugerindo que os pilotos brasileiros fossem treinados por tripulações norte-americanas em patrulhas pela costa.[1]
Quando o embaixador Caffery apresentou a queixa de Marshall a Joaquim Pedro Salgado Filho, Ministro da Aeronáutica, o brasileiro mostrou-lhe algumas cartas recebidas de Hall apresentando um quadro diferente da situação.[2] De qualquer forma, Salgado Filho acolheu a sugestão de Marshall para que a preparação das tripulações brasileiras incluísse patrulhas ao longo da costa. Apesar da falta de suprimento, combustível e apoio de equipes em terra, 60 pilotos foram enviados para treinamento em Fortaleza. Numa escala em Recife, dois deles abordaram o brigadeiro Eduardo Gomes, indagando-o sobre como deveriam proceder caso avistassem um submarino. O brigadeiro respondeu que deveriam atacar se o submarino fosse hostil.[3]
Revide “brasileiro”
Como a operação das Fortalezas Voadoras B-25B era desconhecida dos aviadores brasileiros, havia necessidade de adestrá-los com instrutores da Marinha dos EUA. Tamanha era a necessidade de proteção aérea aos comboios que os voos de treinamento foram utilizados para operações de patrulha no litoral — fervilhante com a operação de submarinos do Eixo. Em 18 de maio, o Comandante Lyra fora atacado próximo à ilha de Fernando de Noronha: o primeiro ataque a um navio mercante nacional junto à costa brasileira. A Guarda Costeira dos EUA fotografara a embarcação ao final de janeiro, impressionando-se com a quase total ausência das marcas de neutralidade: “Ninguém suporia que esse simples navio de transporte operava sob condições de guerra”.
Quatro dias depois, uma das Fortalezas Voadoras do agrupamento de Fortaleza sobrevoou a região em busca do U-boot. Entre os tripulantes do bombardeiro, estavam o capitão-aviador Afonso Celso Parreiras Horta, o capitão-aviador Oswaldo Pamplona Neto e o 1º tenente Henry B. Schwane. A B-25 deparou-se com um submarino navegando na região entre o Atol das Rocas e Fernando de Noronha — provavelmente, o mesmo que atacara o Comandante Lyra.[4] A tripulação identificou o alvo e lançou suas bombas, mas o submersível conseguiu escapar. Outras ações semelhantes aconteceriam nos dias seguintes.

Capa do The New York Times
Os ataques da aviação contra os submarinos na costa do Nordeste foram mantidos em sigilo por vários dias, até a assinatura do convênio militar entre o Brasil e os EUA no final do mês. Logo em seguida, o Departamento de Imprensa e Propaganda repassou à imprensa uma nota informativa da Aeronáutica sobre o episódio. Até 22 de maio, 118 brasileiros haviam perecido nos sete navios brasileiros torpedeados pelo Eixo. Buscando restabelecer a confiança da população nas autoridades — abalada após os ataques pregressos — o governo resolveu dar publicidade ao incidente, mostrando ao povo que as Forças Armadas davam resposta às baixas sofridas pela Marinha Mercante.
A repercussão do ataque correu o mundo. Roosevelt enviou a Vargas um telegrama de congratulações. O The New York Times publicou na primeira página: Brasil ataca submarinos do Eixo! — Bombardeiro afunda um corsário e Brasil contra-ataca o Eixo — Rio de Janeiro alerta que irá proteger seus interesses com patrulhas aéreas – Ação é uma resposta ao afundamento de navios e a ameaça nazista.[5] O Diário Carioca estampou uma manchete usando letras garrafais: A aviação brasileira afunda um submersível do Eixo e avaria outro!
Contudo, o rompante nacionalista traria graves consequências. Embora os ataques tenham ocorrido dentro dos limites da zona de segurança estabelecida pela Conferência do Panamá, criada com o intuito de salvaguardar o continente americano dos efeitos da guerra na Europa, o Alto-Comando naval alemão teve seu orgulho ferido quando a ação brasileira ganhou notoriedade mundial.
A notada desastrada de Salgado Filho seria o estopim da mais audaciosa operação militar contra um país das Américas planejada pelo III Reich durante a Segunda Guerra Mundial: a Operação Brasil.[6]

Oportunidade de vingança
A Kriegsmarine estava mal aos olhos do Führer pelo acúmulo de fracassos recentes. Excetuadas as operações submarinas, a Marinha alemã tinha pouco o que comemorar em 1942. As aventuras das suas famosas unidades de superfície no Oceano Atlântico foram desastrosas. Em 1939, a incursão do Encouraçado Admiral Graf Spee no Atlântico Sul terminou com a destruição da belonave na costa uruguaia. Em 1941, a aventura do célebre Encouraçado Otto Von Bismarck no Atlântico Norte teve o mesmo desfecho. Ambos foram implacavelmente caçados e destruídos pela Marinha Real britânica em combates com ampla repercussão na mídia. Trabalhando sob pressão, o Grande-Almirante Erich Johann Albert Raeder, Comandante-em-Chefe da Kriegsmarine, seria demitido em janeiro do ano seguinte.
Para os dirigentes alemães, as baixas causadas pela Marinha Real britânica foram uma contingência de guerra aceitável. Entretanto, ver os seus submarinos atacados por um país militarmente inexpressivo como o Brasil beirava a humilhação. Uma resposta à altura precisava ser dada pelo Reich.
Berlim, 29 de maio de 1942
Quando a notícia sobre o ataque aos submarinos do Eixo chegou a Berlim, a reação do Comando Naval alemão foi imediata. O Comando de Guerra Naval (Seekriegsleitung – Skl), braço operacional do Alto-Comando da Marinha (Oberkommando der Marine – OKM), propôs ao Estado-Maior Operacional do Alto-Comando das Forças Armadas (Oberkommando der Wehrmacht – OKW) que fosse desfechado um ataque militar contra o Brasil. [7] Considerou-se que um ataque repentino contra os navios de guerra e mercantes brasileiros seria viável naquela conjuntura, pois as medidas de defesa do País ainda estavam incompletas.[8] Além disso, não haveria a necessidade de uma declaração prévia de guerra, pois o Brasil já estava lutando contra a Alemanha no mar.
Na verdade, a série de ataques dos B-25 não teve como alvo os submarinos alemães, mas os italianos Barbarigo e Archimede. Todavia, a divulgação do ataque na imprensa internacional incomodou o Comando da Marinha. Era inadmissível que um país habitado por mestiços — como alguns diários de bordo da Kriegsmarine referiam-se aos brasileiros — atacasse as Forças do Eixo. A mesma indignação não aconteceu quando do outro lado estavam os EUA. Em 4 de setembro do ano anterior, o destróier norte-americano Greer entrou em combate com o U-652, a oeste da Islândia. A imprensa norte-americana divulgou o acontecido ruidosamente, anunciando que a Marinha recebera ordens para capturar ou destruir os navios rompedores de bloqueio do Eixo, que passaram a ser considerados “piratas”.[9] Contudo, o Alto-Comando naval alemão não esboçou reação alguma.
Alemanha nazista já havia colocado o Brasil na mira dos U-boote bem antes do ocorrido. Além dos ataques aos navios mercantes brasileiros no Caribe, nas Antilhas e na costa dos EUA, a Kriegsmarine elaborara planos mais audaciosos. Um documento confidencial de 14 de maio, assinado pelo almirante Karl Dönitz, Comandante da Força de Submarinos, avaliou as possibilidades de ações navais em regiões distantes como na foz do Rio da Prata, na Cidade do Cabo, em Mombasa (no Oceano índico) e no litoral da Bahia. [10]
O grande número de submarinos que esperamos estar disponível num futuro próximo nos capacitará a atacar a navegação em áreas remotas, que estarão ao nosso alcance com o suporte dos submarinos-tanques. Os submarinos-tanques nos permitirão operar os submarinos de 517 toneladas por duas semanas no Golfo do México e no Panamá, ou mais longe ainda, como em Camarões e na Bahia. O submarino de 740 toneladas é capaz de operar duas semanas próximo ao Prata e à Cidade do Cabo. Além disso, os primeiros submarinos da classe IXd II estarão prontos no Outono. Esses submarinos estarão aptos a conduzir operações em locais certamente tão distantes como em Mombasa, no Oceano Índico. [11]
Berlim, 30 de maio de 1942
Mais do que uma vingança contra a ação brasileira, os estrategistas navais alemães identificaram a oportunidade de empreender um ataque devastador contra uma nação fraca militarmente. A Kriegsmarine ressurgiria favoravelmente aos olhos de Hitler com uma ofensiva impactante, punindo o Brasil pela aproximação militar com os EUA e servindo como exemplo intimidador às demais nações do continente. A ação de surpresa assombraria o mundo, ganhando notoriedade internacional pela audácia e pela enorme destruição. O III Reich teria o seu Pearl Harbor.
No dia seguinte à divulgação da ação brasileira pela imprensa internacional, o Comando de Guerra Naval determina ao Comando de Submarinos a confecção de um plano de ataque contra os portos do Brasil. Uma mensagem enviada ao B.d.U. avalia que a “crescente tensão nas relações com o Brasil possibilita o repentino início de guerra”. O documento afirma que uma operação de surpresa da Marinha, desfechando um ataque com minas e torpedos contra os portos do Pará (embocadura), Natal, Recife, Bahia, Rio e Santos será bem-sucedida.[12]
O Skl manda que o B.d.U. forneça propostas para a operação, sugerindo que o ataque seja desencadeado por uma palavra-chave devido ao longo tempo de deslocamento para o Brasil. Propõe, ainda, que sejam indicadas áreas alternativas para o lançamento das minas, caso elas não possam ser depositadas durante a ação na costa brasileira. Por último, avisa que o Comando de Submarinos não deve esperar a liberação de SMA (possivelmente, a abreviatura para a liberdade de manobra nas águas territoriais e no interior dos portos estrangeiros). [13]
O planejamento da Operação Brasil
Informado do ataque brasileiro por um relatório da OKW, Hitler ordenou que o Skl verificasse junto aos aliados italianos se as informações dos ataques contra os submarinos do Eixo estavam corretas.[14] A resposta à consulta confirmou não haver dúvidas de que os ataques foram realizados por aviões oriundos de uma base aérea brasileira. O Skl chegou, inclusive, a reproduzir uma nota de Salgado Filho sobre o incidente, propondo-se a lançar a “Operação 53” — que o Comando de Submarinos chamou de Operação Brasil — contra os principais portos brasileiros. [15]

Berlim, 1 de junho de 1942
O Comando Naval alemão trabalha com extrema rapidez no planejamento da Operação Brasil. No primeiro dia de junho já estava pronto um extenso e minucioso estudo sobre a situação dos portos e da Marinha de Guerra e Mercante brasileira: seus navios, grau de operacionalidade e as possibilidades de um ataque submarino. Dada a sua relevância histórica, o relatório está reproduzido na íntegra, a seguir:
Relatório de Investigação Sobre as Ações da Marinha Contra Portos Brasileiros
Situação Geral
Devido à pressão do dólar, e como consequência da dependência econômica dos Estados Unidos, o Brasil tem ficado cada vez mais subserviente a Washington.
A região de Natal é a região do continente americano que mais se sobressai em direção ao leste, a uma distância de apenas 1.500 km da costa africana. Esta é a passagem mais estreita do Atlântico, que concentra as rotas de comboio/escoltas e atende aos interesses políticos, militares e econômicos dos Estados Unidos na costa africana oposta, levando a política norte-americana a articular seu trajeto pelas Antilhas, Guiana e, acompanhando a costa brasileira, até Natal e Recife (Pernambuco).
Todos conhecem o valor dos produtos de matéria-prima exportados do Brasil para os Estados Unidos. Com um total de 648.747 toneladas brutas (BRT), a Marinha Mercante coloca à disposição para o comércio com os Estados Unidos apenas 32 navios com 147.000 BRT. Há 118 navios cargueiros acima de 1.000 BRT (num total de 377.000 BRT), e sete petroleiros com 27.058 BRT que completam a tonelagem restante (distribuída em vários cargueiros pequenos abaixo de 1.000 BRT), que são suficientes para atender ao tráfego comercial entre os inúmeros portos brasileiros de norte a sul, sendo os mais importantes os do Pará, Natal, Recife, Bahia e Rio de Janeiro.
A Marinha de Guerra é constituída por dois grandes encouraçados com 19.200 t, construídos em 1908 e 1909; dois cruzadores pequenos, igualmente dos anos 1909 e 1907; sete destróieres com menos de 1.000 t, construídos antes de 1914; bem como quatro submarinos; seis caça-minas pequenos; e cinco canhoneiras, na maior parte abaixo de 500 t e tem como base Natal e Recife em primeiro lugar.
Em 1940, três destróieres modernos foram lançados ao mar e outros seis tiveram a construção autorizada; está prevista a fabricação de mais doze. A força e o poder combativo destas poucas unidades, na maioria velhas, são considerados mínimos. Tendo em vista a mentalidade peculiar desse povo, o valor psicológico da sua frota é bem maior que real.
Efeito na “população mestiça”
Possibilidades de operação contra o Brasil
Para a ação de guerra contra o Brasil, podem ser utilizados:
- submarinos,
- navios auxiliares
- eventualmente, mais tarde, navios de guerra
(até o momento, os últimos dois não serão considerados)
Ao analisar os maiores portos, sob o ponto de vista das melhores possibilidades de ataque, primeiramente para submarinos, conclui-se o seguinte:
- Pará:
O porto está localizado na foz do mesmo rio, a cerca de setenta milhas náuticas da costa do Atlântico. A entrada para o rio é muito perigosa devido às dificuldades de navegação, correntezas e locais de pouca profundidade. O Pará é o ponto central para a exportação dos produtos da região do Amazonas e dos países vizinhos, vinda de uma área que cobre 2/5 do Brasil. É provável que a principal exportação de borracha provenha dali. É bastante provável que submarinos obtenham sucesso antes da foz do rio Pará. Esta área também parece ser adequada para minagem por meio de submarinos.
b. Natal:
Esta cidade portuária também se encontra numa foz, porém, apenas a 1,5 milhas da costa do Atlântico. Devido aos recifes, a entrada para o rio é bastante estreita, o que impossibilita uma navegação sem o auxílio de guias. Devido a pouca profundidade da água, o uso de minas parece ser viável. Um bombardeio também traria possibilidades de sucesso, além de causar certa impressão. Tendo em vista a localização deste porto, é provável que as Marinhas americana e brasileira estejam baseadas nele.
c. Pernambuco (Recife):
Pernambuco se tornará uma das bases mais importantes para as rotas de escolta de comboios entre a América do Sul e a África. A cidade e o porto ficam na beira de um rio, sem a menor segurança, e diretamente no mar aberto. A bacia do porto possui uma milha náutica de comprimento e trezentos metros de largura, não oferecendo segurança suficiente para todos os navios que chegam neste importante porto. Por isso, principalmente, os navios de guerra preferem ficar ancorados na enseada aberta. A profundidade da água (12-15 m) não é favorável para um ataque de submarino nas proximidades da enseada. Contudo, parece promissor se tentar atacar os navios lá ancorados com uma ação de surpresa e a deposição de minas. Um ataque de fogo direto também é viável. Um ataque a navios de guerra brasileiros teria um grande sucesso, principalmente em relação ao prestígio.
d. Bahia:
A cidade está situada de frente para uma baía grande, cuja abertura para o mar possui a largura de três milhas. Considera-se que exista uma quantidade grande de navios ancorada na baía, e não nas poucas docas do porto. É possível entrar na baía e colocar minas em seguida, quando os submarinos saírem, o que de acordo com o movimento do porto resultará em sucesso pelo efeito surpresa.
e. Rio:
O Rio é, ao mesmo tempo, o porto marítimo mais significante e a capital do Brasil. A entrada da sua grande baía possui uma largura de 2/3 de milha náutica entre dois fortes que estão situados na sua parte mais estreita. A entrada possui profundidade de até cinquenta metros; porém, ao sul da linha que une os dois fortes, há uma barra com profundidade de onze e treze metros. Considera-se que a entrada nesta baía famosa deva ser feito com audácia. Mesmo que a profundidade dificulte o ataque contra os navios ancorados no cais, pelos navios não conseguirem entrar na baía, há um número valioso de navios ancorados a leste da cidade, numa profundidade de 30 metros. Após o ataque realizado, considera-se viável uma minagem a oeste do forte de Santa Cruz. Deve-se observar que, juntamente com os êxitos decorrentes dos naufrágios, será causado um forte efeito moral na população mestiça brasileira, caso um submarino consiga entrar na baía do Rio.
f. Santos:
Ao lado do Rio de Janeiro, Santos possui uma base importante da Marinha brasileira em tempos de paz. Santos é alcançado apenas por um braço de rio estreito, no qual é impossível adentrar. A Baía de Santos, com profundidade abaixo de 20 m, é adequada para operações de minagem. Conta-se com o sucesso da ação dos submarinos contra o significante tráfego comercial.
g. Descarta-se a análise de portos situados mais ao sul, devido às suas grandes distâncias.
3) Possibilidades da Operação no Brasil:
Em face ao comprimento de costa de 3.180 milhas náuticas, a Marinha brasileira, majoritariamente desatualizada, não é capaz de realizar as tarefas mais simples de proteção. Mesmo que a participação do Brasil na guerra acelere os trabalhos nas bases dos Estados Unidos, o Brasil logo necessitará da ajuda americana, se não quiser sofrer grandes perdas causadas pelos submarinos na sua longa costa, uma vez que estas perdas serão à custa dos Estados Unidos.
A aviação brasileira assumirá o controle da costa junto com a aviação americana, porém, as suas forças também não serão suficientes para cobrir os espaços marítimos mais amplos.
4) Resumo
Conclui-se que um ataque de surpresa com submarinos alemães poderá alcançar sucessos, com os devidos golpes contra a sua Marinha Mercante e os seus meios de defesa insuficientes. Os documentos do serviço “B” são do mês de janeiro; de acordo com eles, os dois navios de linha estavam no Rio e deviam ir para Pernambuco mais tarde. Um dos dois cruzadores estava em Pernambuco, o outro em Santos. Três destróieres haviam saído do Rio para fins de patrulha.


Espiões nazistas
Uma análise do estudo preparado pelo Skl desmonta algumas versões consolidadas pela historiografia nacional no pós-guerra. Uma delas diz respeito ao grau de atividade e eficiência da inteligência alemã no Brasil, potencializado pela imprensa sensacionalista da época. Após o rompimento, alguns jornais instigaram uma verdadeira “caça às bruxas” na comunidade alemã. No final de março, o Diário Carioca publicou uma “Relação dos Brasileiros Traidores, Presos, em São Paulo, como Membros da Rede de Espionagem Germânica no Brasil”. Segundo a reportagem, o “almirantado alemão era informado do movimento marítimo de toda a América, através de potentes rádio-emissoras instaladas nos portos do continente”.
Os planos do Skl desmentem essa versão. Por razões de segurança, não havia contatos diretos entre os agentes alemães e os submarinos. Nas melhores condições, uma informação do Serviço de Inteligência no estrangeiro chegaria somente dois ou três dias depois ao U-boot.[16] Em junho, as informações mais recentes no almirantado alemão sobre a Armada brasileira eram de quase seis meses antes, enquanto funcionou a embaixada do Reich no Brasil. A localização das principais unidades de combate da Armada (os encouraçados São Paulo e Minas Gerais e os seus cruzadores de escolta Bahia e Rio Grande do Sul) datavam ainda de janeiro, sendo de pouca valia para a operação.Os dados amplamente defasados em poder de Berlim são provas de que a historiografia no pós-guerra supervalorizou a real capacidade da rede de espionagem do Eixo no Brasil. Em especial, as baseadas nas notícias publicadas pelos jornais da época.
A mesma edição do Diário Carioca afirmou ter descoberto uma estação-rádio operada por um espião nazista em Santa Teresa, no Rio de Janeiro. O suposto agente seria o alemão, naturalizado brasileiro, Hans Muth, professor da Escola Técnica do Exército e engenheiro-chefe da Telefunken. Procurado por um repórter do jornal, o professor abriu as portas da sua residência para a reportagem, mas não convenceu o jornalista-detetive da sua inocência: “O espião nazista procurou negar sua responsabilidade”, concluiu a matéria do periódico.[17]
Paris, 3 de junho de 1942
No seu quartel-general em Paris, Karl Dönitz recebeu com desconfiança a proposta de ataque do Comando da Marinha. Embora estivesse de acordo com a montagem de uma ação de guerra antecipada contra o Brasil, acreditando que o ataque tivesse boas chances de sucesso, Dönitz desaconselhou a operação. Seus argumentos basearam-se na carência de submarinos-tanque (U-tankers) e nas limitações de um ataque naval antes que a guerra entre os dois países fosse declarada. Sem a possibilidade de reabastecimento e de autorização para a entrada dos submarinos nos portos e nas águas territoriais brasileiras, os submarinos teriam pouco tempo disponível para o ataque, restringindo o emprego pleno do seu poder de combate. Sua resposta ao escalão superior afirmou o seguinte:
- O B.d.U. considera que um ataque surpresa frente à costa brasileira pode ser bem-sucedido e pretende executá-lo assim que tenha início a guerra contra o Brasil.
2. Enquanto o Brasil continuar neutro, uma ação de guerra não vale a pena, pelos seguintes motivos: como nenhum U-tanker estará à disposição, o estoque de combustível disponível para os submarinos do tipo IX na área de operação é bastante pequeno, devido às longas distâncias de deslocamento. Seria preciso utilizar todo o arsenal de torpedos num intervalo de tempo reduzido, mas isso é impossível, porque
3. há limitações com relação a um ataque irrestrito;
4. os U-boote não tem permissão de atuar em águas territoriais e junto aos portos, ou seja, em áreas de intenso tráfego. Consequentemente, a sua força combativa não poderá ser aproveitada plenamente.
5. Uma ação contra o Brasil, antes do início da guerra, não possui finalidade nenhuma, pois, caso a guerra não seja iniciada durante a ação:
6. o desvio para outra área de operações não valerá a pena, devido à grande distância.
7. não promete sucesso a atuação na área de ataque permitida e no mar aberto, como mostraram as operações do U-126, do U-128 e do U-161.
Em seu diário de guerra, o almirante fez algumas observações adicionais sobre os planos do Skl. Sem especificar datas, Dönitz aconselhou que a ação fosse postergada, pois não havia disponibilidade de submarinos-tanque com brevidade, visto que as duas únicas unidades de reabastecimento disponíveis (o U-459 e o U-460) estavam comprometidas em outras operações.[18] Entretanto, destacou que a possibilidade de o Brasil entrar na guerra requeria uma rápida e efetiva operação de U-boote contra os portos brasileiros.
Eu considero que uma rápida operação contra os portos brasileiros teria uma boa chance de sucesso. (…) É esperado um pesado tráfego naval e atividade antissubmarina muito leve nos portos de Santos, Rio de Janeiro, Recife, Bahia e Natal. (…) O tipo de litoral permite a operação próxima à linha costeira. (…) A primeira operação deverá ser feita com torpedos, porque se espera que a defesa antissubmarina permita a entrada dos U-boote nas baías e portos, onde a operação com torpedos irá causar uma grande surpresa combinada com as operações de minagem. (…) A minagem, certamente, promete boas chances de sucesso no futuro.[19]

Berlim, 4 de junho de 1942
Dönitz embasou um parecer contrário ao ataque imediato ao Brasil por razões logísticas e operacionais, pois a falta de submarinos-tanque no Atlântico Sul, somadas às restrições de cunho político aos ataques, tornariam a ação pouco compensadora. Como exemplo, o almirante citou o caso dos submarinos U-161, U-126 e U-128, que estavam em operação no litoral norte brasileiro desde o final de maio sem avistar tráfego.[20]
Dönitz era um militar pragmático, que direcionava seus meios para objetivos de relevância estratégica — e a Operação Brasil destoava dessa visão. A ação proposta pelo Alto-Comando voltava-se mais para a guerra de propaganda do que para alcançar objetivos relevantes na esfera militar. Uma vez levado a efeito, o ataque retiraria unidades submarinas de áreas vitais, acarretando “um considerável custo para o resto da guerra no Atlântico” e prejudicando as demais operações na costa americana.[21] Se recebesse ordem para deslocar seus U-boote para o distante Atlântico Sul, Dönitz queria que, pelo menos, fosse dada total liberdade de ação aos seus subordinados.
Após deixar a embaixada alemã no Rio de Janeiro, Karl Ritter ficou encarregado da ligação entre o Ministério das Relações Exteriores e as Forças Armadas. O ex-embaixador alemão no Brasil recebeu um relatório do Comando da Marinha (OKM), trazendo o resultado da consulta aos italianos ordenada por Hitler. O texto enumerou uma série de razões para justificar uma ação ofensiva contra o Brasil, afirmando que o país tem auxiliado cada vez mais os Aliados, pois “colocou não somente as forças econômicas do país, mas também o seu território e as bases do Exercito brasileiro à disposição do inimigo que, com apoio nestas bases, está realizando ataques contra as Forças do Eixo”.

“Restrições escandalosas”
A OKM argumenta que os ataques contra os submarinos do Eixo não poderiam ser interpretados como uma reação ao comportamento germânico, porque os alemães não fizeram ataques no mar territorial brasileiro ou contra os navios brasileiros, à revelia dos regulamentos da guerra no mar. O Comando Naval chegou ao cúmulo de imputar a culpa pelos ataques alemães aos navios mercantes brasileiros às próprias embarcações torpedeadas: “Em todos os casos conhecidos pelo Skl em que navios mercantes brasileiros foram afundados, o motivo pelos afundamentos foi de absoluta responsabilidade destes navios”.
O documento ressalta as supostas restrições levantadas contra os cidadãos alemães no Brasil, classificando-as de “escandalosas”. Afirma que o Brasil estava aumentando seu comportamento agressivo e que iria à guerra contra a Alemanha. Para justificar sua posição, o Skl menciona a informação de que dois submarinos italianos, operando na costa nordeste do Brasil, haviam sido atacados nos dias 22 e 26 de maio “por uma aeronave cuja nacionalidade não pôde ser identificada, mas que deve ter decolado de um aeroporto brasileiro, sem dúvida alguma”.
No item seguinte, o texto reproduz uma declaração do Ministro da Aeronáutica brasileiro, repassada pelo adido naval alemão em Buenos Aires, em que Salgado Filho descreve a resposta da Força Aérea Brasileira ao ataque ao Comandante Lyra, afirmando que “três submarinos foram detectados, caçados e atacados na costa brasileira. Um deles foi afundado”. Por último, o texto ressalta que, segundo a mídia brasileira, o “Brasil está praticamente em guerra contra o Eixo”. [22]
O Comando Operacional da Kriegsmarine trocava de opinião conforme a conveniência do momento. Pouco tempo depois, ele mudaria seu parecer acerca dos ataques aos navios brasileiros, responsabilizando o Ministério das Relações Exteriores pela declaração de guerra do Brasil ao Eixo.
O Skl informa ao B.d.U. que a situação evoluíra, tendo sido ultrapassadas as restrições iniciais de Dönitz à operação. A intenção é iniciar a guerra contra o Brasil por meio de contra-ataques maciços com submarinos: “A condição para esta decisão do Führer é a possibilidade de apresentar-se com um número suficiente de submarinos, ao mesmo tempo, em frente aos portos principais do Brasil”, ressaltou a mensagem. O Skl considera necessária a operação simultânea de 10 a 15 submarinos, determinando que o B.d.U. prepare uma proposta de operação e informe quando e com quantos submarinos a tarefa podia ser executada, pois a decisão do Führer era esperada num intervalo de oito a dez dias. O Skl informa estar ciente do enfraquecimento das atuais operações no Atlântico. Além disso, concorda sobre o efeito da deposição de minas nos portos, endossando a sugestão de equipar cada submarino com minas. [23]
Berlim, 7 de junho de 1942
O Skl recebe os planos elaborados pelo B.d.U., marcando o início da ação dos U-boote para o começo de agosto. O ataque seria desencadeado numa data-hora a ser determinada, à frente e dentro dos portos brasileiros: “sendo os alvos os navios, e, se possível, fazendo o bombardeamento simultâneo de alvos favoráveis no continente”. Com o intuito de preservar o sigilo da operação, os submarinos estariam autorizados a atacar somente os alvos considerados valiosos durante o deslocamento para os locais designados.
Dönitz tenta postergar a operação uma vez mais, solicitando que, se fosse viável politicamente, a operação fosse deixada para o início de setembro, por questões operacionais e estratégicas: “por conter em si um forte prejuízo para com o restante da guerra no Atlântico”.[24]
Berlim, 9 de junho de 1942
A Marinha alemã finaliza os planos da Operação Brasil, organizando uma “alcateia” com dez “submarinos-lobos” (dois do tipo IX e oito do tipo VII-C), que partiriam da costa oeste da França ocidental entre 22 de junho e 4 de julho.[25] No plano proposto, esperava-se alcançar a máxima surpresa, reduzindo ao mínimo o tempo de reação das defesas brasileiras. O grupo de submarinos dirigir-se-ia para uma área de espera situada entre as latitudes de 9º e 10º sul (na altura de Alagoas), onde seriam abastecidos. Terminado o ressuprimento, os submersíveis entrariam em posição à frente dos diferentes portos, desfechando os ataques simultaneamente, numa data entre os dias 3 e 8 de agosto (período imediatamente anterior à lua nova). O pedido de Dönitz para que a operação fosse postergada para setembro não fora atendido.
Tomando como base o modus operandi da Kriegsmarine, o ataque aconteceria da seguinte forma. Ao ser recebida a mensagem codificada para o início da operação, os U-boote penetrariam submersos no interior das baías e portos. Navegando na profundidade de periscópio, identificariam os alvos de maior valor até que a chegada da noite lhes proporcionasse a segurança para o início da ação. Não haveria a necessidade de maiores cálculos para o torpedeamento, pois as presas estariam imobilizadas nos ancoradouros ou fundeadas nas proximidades.
Lançados os torpedos (quatro na proa e dois na popa), caso não houvesse reação defensiva, os alvos compensadores na costa receberiam o bombardeio do armamento de convés: canhões de 88 mm (U-boot tipo VII-C) e de 105 mm (U-boot tipo IX-D), atingindo objetivos terrestres como aeroportos e reservatórios de combustível e gás. Ao final da ação, seriam depositadas de duas a quatro minas em cada um dos portos, de acordo com a capacidade de cada submarino. [26]
A avaliação da situação política e os fatos militares ocorridos estão expostos no 1.Skl. Ic 13638/42 gKdos. do 4.6.42. Devido a essas reflexões, a Skl pretende responder às ações brasileiras com um contra-ataque maciço. O motivo crucial dessa decisão é não somente o ataque da força aérea brasileira contra os submarinos do Eixo, mas também a convicção de que o Brasil provocou o estado de guerra na prática, através das suas ações belicosas. Depois de preparar-se e tomar as medidas de defesa, ele irá desencadear o seu plano de guerra.
O estudo sobre a possibilidade da ação da Marinha contra os portos do Brasil foi enviado no B.Nr.1.Skl.Iu 1035 gKdos., de 1 Jun 42. Esse estudo resultou nas seguintes possibilidades de uma ação militar:
Geral:
Para o êxito da uma ação com submarinos, os U-boote devem ser abastecidos por um U-tanker antes do início da operação, que terá início de 5 a 8 dias antes da lua nova (lua nova em 13 Jun – 11 Jul – 9 Ago). O deslocamento dos U-boote têm previsão de 26 das, partindo dos portos do oeste da França até a área de espera, onde deve ocorrer o abastecimento. A duração da marcha da área de espera até a área de operações é de 6 a 7 dias. Assim, o início da operação acontecerá de 32 a 34 dias após a saída dos U-boote dos portos do oeste da França.
(…)
Planos da direção da Marinha:
O Skl pretende executar uma ação com submarinos do grupo II, utilizando o petroleiro U-460, à frente dos principais portos do Brasil durante o período de 3 até 8 de agosto. Os U-boote seguirão para uma área de espera na altura da costa do nordeste do Brasil, sendo abastecidos pelo U-Tanker de acordo com a ordem de chegada, seguindo de lá para as áreas de ataque em frente aos portos. A ordem para o ataque de todos os U-boote será dada simultaneamente.
É previsto equipar alguns U-boote com 2 a 4 minas cada um, de acordo com as respectivas condições técnicas. A ação de dez U-boote é prevista como suficiente, porque dentro dos portos em questão, e diretamente à frente das suas entradas, não podem ser utilizados mais unidades demaneira proveitosa, e porque há pouco tráfego na área marítima à frente da costa brasileira atualmente. O sucesso da ação depende, principalmente, do cuidado com que esses submarinos serão preparados e equipados para essa tarefa especial. Por isso, caso o grupo II entre em ação, a ordem de execução deve ser dada até, no máximo, o dia 15 de junho.
O Vice-almirante Krankce recebeu ordem do ObdM (Comandante-em-Chefe da Marinha) para manter o Führer informado e auxiliá-lo na tomada de decisão.
“Alfinetadas”
Berghof, 15 de junho de 1942
Raeder apresenta os planos da Operação Brasil a Hitler durante a Conferência de Berghof, no “Ninho da Águia”. O Führer concede a permissão para o ataque, reconhecendo o fato de que “a guerra submarina, ao final, irá decidir o resultado da guerra”. Hitler determina que a situação política seja revista uma vez mais antes que a operação seja desencadeada.[27] Segundo ele, se fosse empreendida uma ação contra o Brasil, ela não deveria ser um conjunto de “alfinetadas”, mas um empreendimento sério — e não havia dúvida alguma quanto ao que o Führer considerava um “empreendimento sério”.

Berghof, 16 de junho de 1942
Consultado a respeito do ataque, Ritter afirma ser indesejável o agravamento do conflito com o Brasil, devido às possíveis consequências nas relações políticas da Alemanha com a Argentina e o Chile — que ainda mantinham relações diplomáticas e comerciais com o Eixo. O diplomata afirma que a Itália e o Japão devem ser previamente consultados antes da ação.
Para que a Operação Brasil pudesse ser executada conforme o previsto, era preciso que os submarinos e as tripulações fossem preparados com antecedência. O B.d.U. solicitara ao Skl para que a ordem de partida fosse dada até 15 de junho, a fim de que a frota de ataque aproveitasse a escuridão da fase de lua nova. Cinco dias após o prazo, Dönitz recebeu a mensagem para desencadear a operação.
De imediato, os U-boote começaram a zarpar em direção ao Atlântico Sul. A sorte do Brasil estava lançada. Naquele momento, era preciso quase que um milagre para livrar o País da hecatombe.


Fontes
[1] Foreign Relations of the United States, Diplomatic Papers, 1942, Vol. V, The American Republics. Washington: Government Printing Office, 1962, pp. 659-660. Hull a Caffery, 11 Mai 42.
[2] Ibid., pp.661-662. Caffery a Hull, 16 Mai 42.
[3] História Geral da Aeronáutica Brasileira, Instituto Histórico – Cultural da Aeronáutica (Incaer), edição do Incaer e da Vila Rica Editoras Reunidas, RJ/BH, 1991, Vol.3, pp. 421-422.
[4] O submarino era o italiano Barbarigo, que atacara o Comandante Lyra em 18 Mai 42, com torpedos e artilharia. Disponível em: http://www.regiamarina.net.
[5] The New York Times, FRANK M. GARCIA, Special Cable, 29 Mai 42.
[6] Diário Carioca, RJ; The New York Times, NY, edição de 29 Mai 42.
[7] Documento 12938/42, Altamente Secreto, Diário de Jodl, Atas do Tribunal de Nuremberg, p.125, 18 Mai 46.
[8] Trial of The Majors War Criminals Before the International Military Tribunal, Nuremberg, Germany, 14 November 1945 -1 October 1946, Vol. V, Proceedings, 9 Jan 1946 – 21 Jan 1946, Nuremberg, Germany, 1947, 15 Jan 1946, pp. 276-277.
[9] MANSON, David. Submarinos Alemães – a arma oculta, Rio de Janeiro: Editora Renes Ltda, 1975, p.64.
[10] Report of the Commanding Admiral, Submarines at Fuhrer Headquarters on 14 May 1942 in the presence of the Commander in Chief, Navy.
[11] Ibid., pp. 84-85.
[12] 1. Skl. I Op 1026/42, 30 Mai 42.
[13] 1./Seekriegsleitung Iu, 1026/42, 30 Mai 42.
[14] Trial of the Major War Criminals Before the International Military Tribunal – Nuremberg, 14 Nov 1945 – Out 1946, Vol. XIV, Nuremberg, 1948, p.124.
[15] U-boat Archive Admiralty C.B. 4501 History of U-Boat Policy 1939-1945, p.26; KTB B.d.U., 21 Jun 42.
[16] ROWER, Jürgen. Operações Navais da Alemanha no Litoral do Brasil durante a Segunda Guerra Mundial. Revista Navigator: subsídios para a história marítima do Brasil, Rio de Janeiro, nº 18, Jan- Dez 1982, p.33.
[17] Diário Carioca, 28 Mar 42.
[18] KTB B.d.U., 6 Jun 42, p.113-114.
[19]Kriegstagebücher (KTB) & Stehender Kriegsbefehl Des Füehrers/Befehlshaber der Unterseeboote (FdU./BdU) War Diary and War Standing Orders of Commander in Chief Submarines, p.108, 3 Jun 1942, pp. 107-108.
[20] KTB B.d.U., 2 Jun 42.
[21] Ibid., 6 Jun 42.
[22] I Seekrieger I C IIII. International Law- Neutrality of Brazil. Report of the OKM to the Foreign Office Ambassador Ritter, 4 Jun 42, pp.180-182.
[23] 1.Skl. Iu 1070/42 Gkds. Chefs., 5 Jun 42.
[24] 1.Skl.B.Nr. 1092/42 Gkds. Chefs., 7 Jun 42.
[25] Trial of The Majors War Criminals Before The International Military Tribunal, Vol. XIV, p.124. Os submarinos do tipo IX eram os mais modernos e poderosos da frota alemã, com capacidade de disparar 27 torpedos (IXD); os da Classe VIIC carregavam 14 torpedos.
[26] KTB B.d.U., 6 Jun 42.
[27] Report on a Conference between the Commander in Chief, Navy and the Fuehrer at Berghof the afternoon of 15 June 1942, p.86.
7 respostas a “Operação Brasil”
-
[…] Em 21 de junho, os submarinos alemães começaram a zarpar dos portos franceses com destino ao Atlântico Sul. Cumpririam a mortífera “Operação Brasil“. […]
-
Excelente trabalho, revelando informações que suponho serem desconhecidas.
-
[…] maio de 1942, o Barbarigo sequer foi capaz de afundar o Comandante Lyra (foto abaixo). Por sinal, a embarcação brasileira viajava sem as marcas de neutralidade […]
-
[…] Operação Brasil (2015), Durval Lourenço Pereira revelou, com base em fontes primárias da Alemanha nazista, a […]
-
[…] militar pragmático, que direcionava seus meios para objetivos de relevância estratégica — e a Operação Brasil destoava dessa visão. A ação proposta pelo Alto-Comando voltava-se mais para a guerra de […]
-
Lembrando que submarinos italianos operaram ativamente na costa brasileira entre 1941 e 1943, bem como que eles faziam parte da missão secreta Betasom, sediada em Bordeaux, na França. Além do que o primeiro torpedeamento confirmado na costa do Brasil durante a Segunda Guerra Mundial foi realizado por uma dessas embarcações, precipitando a entrada do país no conflito, a saber, em 25 de fevereiro de 1942, o submarino italiano Tazzoli torpedeou o cargueiro inglês Queen City ao largo da costa do Maranhão. Citam-se outros submarinos/embarcações italianas como o Barbarigo, Calvi, Archimede, Cappellini e Bagnolini também patrulharam e realizaram afundamentos no litoral brasileiro.
-
Muito obrigado pela sua ótima contribuição, professor!
-




Deixe um comentário