Como a Força Expedicionária Brasileira (FEB) estava inserida na ordem de batalha das Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial? Quais foram os comandantes dos regimentos de infantaria febianos?

Quando os primeiros contingentes da FEB chegaram à Itália, em 1944, os pracinhas passaram a integrar uma gigantesca estrutura militar multinacional responsável pela libertação da Europa Ocidental do domínio nazista. Embora frequentemente lembrada como uma força nacional, a FEB combateu inserida em uma complexa cadeia de comando Aliada, atuando ao lado de algumas famosas unidades dos exércitos dos Estados Unidos e do Reino Unido.

Compreender a posição da expedição nacional na ordem de batalha Aliada ajuda a dimensionar a importância da participação brasileira na Segunda Guerra Mundial e a entender como os pracinhas se integraram ao esforço militar que culminou na derrota das potências do Eixo na Europa.

A FEB na estrutura aliada

Durante sua fase inicial de operações, entre setembro e outubro de 1944, o Destacamento FEB foi subordinado ao IV Corpo de Exército norte-americano, que integrava o V Exército dos Estados Unidos, comandado pelo general Mark W. Clark.

Por sua vez, o V Exército fazia parte do XV Grupo de Exércitos Aliados, responsável pelas operações militares na Itália. Na mesma estrutura encontrava-se o VIII Exército Britânico, formando a principal força terrestre do Reino Unido na península italiana.

Nesse período, o Destacamento FEB foi organizado como uma força-tarefa de combate, denominada pelos norte-americanos Task Force 6th Regimental Combat Team, operando em conjunto com outras unidades americanas.

Ao lado dos brasileiros encontravam-se formações importantes como:

  • 6ª Divisão Blindada dos Estados Unidos;
  • 1ª Divisão Blindada dos Estados Unidos (“Old Ironsides“);
  • Task Force 45;
  • Task Force 92;
  • Diversas unidades de apoio, Engenharia, Artilharia e Logística.

O núcleo de combate brasileiro era formado pelo 6º Regimento de Infantaria, apoiado por elementos de reconhecimento mecanizado, artilharia e serviços especializados.

A evolução da FEB no campo de batalha

À medida que novos contingentes brasileiros chegavam à Itália, a estrutura da FEB ampliava-se. A partir de 1º de novembro de 1944, a tropa brasileira passou a operar como uma Divisão completa: a 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (1ª DIE), sob o comando do general João Baptista Mascarenhas de Moraes. Essa reorganização elevou significativamente a importância da FEB dentro do dispositivo aliado.

Durante a Ofensiva de Primavera de 1945, fase decisiva da campanha italiana, a 1ª DIE continuava subordinada ao IV Corpo de Exército, integrado ao XV Grupo de Exércitos, agora comandado pelo general Mark Clark, que substituíra o general Alexander.

Naquele momento, a FEB encontrava-se lado a lado com algumas das mais prestigiadas formações do Exército dos Estados Unidos:

  • 85ª Divisão de Infantaria;
  • 6ª Divisão Blindada Sul-Africana
  • 1ª Divisão Blindada;
  • 10ª Divisão de Montanha;
  • 34ª Divisão de Infantaria.

Foi nesse contexto que os brasileiros participaram das operações que levaram à ruptura da Linha Gótica e à libertação do norte da Itália.

Os regimentos brasileiros em combate

Durante a ofensiva final, a 1ª DIE possuía como principais unidades de manobra:

1º Regimento de Infantaria – “Regimento Sampaio”

O 1º Regimento de Infantaria, do Distrito Federal (Rio de Janeiro à época), comandado pelo coronel Aguinaldo Caiado de Castro (1899 – 1963), participou de algumas das ações mais importantes da campanha, incluindo os combates pelo Monte Castello e em Montese.

Coronel Aguinaldo Caiado de Castro comandante do Regimento Sampaio
Coronel Aguinaldo Caiado de Castro, Comandante do Regimento Sampaio (foto melhorada e colorizada por IA). Fonte: Jornal Opção

6º Regimento de Infantaria

Foi o primeiro grande elemento de infantaria brasileiro empregado em operações de combate, acumulando vasta experiência no front italiano. O regimento de São Paulo participou de batalhas importantes, como as do Monte Castello, Montese, Castelnuovo di Vergato e Collecchio – Forno di Taro. Foi comandado primeiramente pelo coronel João de Segadas Viana (1899 – 1977), e em seguida pelo coronel Nélson de Melo (1899 – 1989).

11º Regimento de Infantaria

Comandado pelo coronel Delmiro Pereira de Andrade (1893 – 1957), o regimento de São João del Rei teve atuação de destaque na conquista de Montese, que contribuiu de forma altamente relevante para a quebra da linha defensiva do Eixo em abril de 1945 (Linha Genghis Khan).

Coronel Delmiro Pereira de Andrade comandante do 11º RI
Coronel Delmiro Pereira de Andrade: Comandante do 11º RI na Segunda Guerra Mundial.

Esses regimentos recebiam apoio de Artilharia, Cavalaria, Engenharia, Transmissões (Comunicações), Logística e outras unidades especializadas, formando uma força de combate moderna para os padrões da época.

Combatendo ao lado das melhores tropas aliadas

A posição da FEB na ordem de batalha demonstra que os brasileiros não atuaram em um setor secundário da guerra. Pelo contrário, os pracinhas combateram integrados às principais formações do V Exército norte-americano, participando de operações ofensivas de notável importância estratégica.

Ao lado da 10ª Divisão de Montanha, da 1ª Divisão Blindada e de outras unidades veteranas, os brasileiros contribuíram para vitórias decisivas em Monte Castello, Castelnuovo di Vergato, Montese, Zocca, Collecchio e Fornovo di Trao.

A atuação da FEB foi tão eficiente que recebeu elogios de diversos comandantes aliados e culminou na rendição da 148ª Divisão de Infantaria Alemã e de outras unidades inimigas em abril de 1945.

Um lugar de destaque entre os Aliados

A presença da FEB na ordem de batalha aliada simboliza muito mais do que uma simples posição em um organograma militar. Ela representa a integração do Brasil ao maior esforço militar internacional de sua história.

Os cerca de 25 mil brasileiros enviados à Itália demonstraram capacidade operacional, disciplina e coragem, conquistando respeito entre seus companheiros de armas e garantindo ao Brasil um lugar de destaque na vitória Aliada na Segunda Guerra Mundial.

Mais de oitenta anos depois, compreender essa estrutura de comando é também reconhecer a dimensão do papel desempenhado pelos pracinhas brasileiros nos campos de batalha da Itália.


Os dois principais organogramas da FEB na Segunda Grande Guerra são os seguintes:

1. O Destacamento FEB (15 set. 1944 a 31 out. 1944)

Organograma Destacamento FEB

2. A FEB na Ofensiva de Primavera (abril de 1945)

Organograma Forças Aliadas durante a Ofensiva da Primavera

Memorial da FEB – Preservando a memória dos brasileiros que combateram pela liberdade na Segunda Guerra Mundial.

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