
A página Segunda Guerra Mundial no Memorial da FEB reúne conteúdos dedicados a um dos períodos mais decisivos da história da humanidade. O conflito, travado entre 1939 e 1945, mobilizou dezenas de países e transformou profundamente os campos político, militar, econômico e social em todo o planeta. Nesse cenário de guerra total, o Brasil teve participação ativa ao lado dos Aliados, enviando para a Itália a Força Expedicionária Brasileira, composta por cerca de 25 mil homens e mulheres.
O Memorial da FEB apresenta artigos, fotografias, relatos históricos e análises sobre os antecedentes da guerra, os ataques sofridos pelo Brasil no Atlântico, os principais combates da FEB na Itália e as trajetórias dos pracinhas brasileiros. Também aborda personagens marcantes, estratégias militares e episódios pouco conhecidos da campanha brasileira durante o conflito.
Mais do que relembrar batalhas, o objetivo do portal é preservar a memória dos veteranos e transmitir às novas gerações o legado daqueles que lutaram contra o totalitarismo em defesa da liberdade. Nosso trabalho funciona como um espaço de pesquisa, divulgação histórica e valorização da participação brasileira na Segunda Guerra Mundial, reunindo documentos, depoimentos e estudos produzidos ao longo de décadas de investigação histórica.
Origens da Segunda Guerra Mundial
A Segunda Guerra Mundial teve suas origens em uma combinação de fatores políticos, econômicos, filosóficos e sociais surgidos ainda no século XIX. Um deles, mais recente, foi o ressentimento causado pelo Tratado de Versalhes, imposto à Alemanha após a derrota alemã. O acordo determinou pesadas indenizações financeiras, perda de territórios e severas limitações militares, provocando crise econômica, desemprego e forte sentimento de humilhação entre os alemães.
A partir da vitória da Revolução Bolchevique na Rússia (1917), o Komintern (Internacional Comunista) passou a treinar e a enviar agentes revolucionários para inúmeros países. O objetivo central visava unir partidos comunistas no estrangeiro, a fim de promover a revolução proletária global, derrubar o capitalismo e instaurar o socialismo. A iniciativa resultou em fortes tensões sociais na maior parte das nações-alvo, acarretando o surgimento e o fortalecimento de partidos e movimentos anticomunistas.
Na década de 1920, a situação agravou-se com a inflação descontrolada e a instabilidade política na Alemanha. Em seguida, a Grande Depressão atingiu duramente a economia mundial, aumentando o desemprego e fortalecendo movimentos extremistas. Nesse contexto, cresceram regimes autoritários e nacionalistas em vários países europeus. Na Alemanha, Adolf Hitler e o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP), também conhecido como Partido Nazista, chegaram ao poder em 1933, defendendo o expansionismo militar, a militarização da sociedade e a ascensão do ideal da supremacia racial ariana.
Ao mesmo tempo, a Itália de Benito Mussolini buscava expandir seus domínios coloniais, enquanto o Japão ampliava sua presença militar na Ásia. A fragilidade da Liga das Nações em conter agressões internacionais permitiu sucessivas invasões e anexações territoriais sem reação efetiva das grandes potências.
Principais eventos da guerra
A política de apaziguamento adotada por Reino Unido e França incentivou ainda mais o expansionismo alemão. Hitler anexou a Áustria e ocupou parte da Tchecoslováquia. A eclosão do conflito europeu foi viabilizado com a assinatura do Pacto Molotov-Ribbentrop, ao final de agosto de 1939. Conforme os protocolos secretos assinados em Moscou, Adolf Hitler e Josef Stalin dividiram entre si a Europa Oriental.
A Polônia foi invadida pela Alemanha poucos dias depois, em 1º de setembro de 1939. Duas semanas mais tarde, a URSS invadiu a Polônia pelo leste. Britânicos e franceses declararam guerra à Alemanha em 1º de setembro, iniciando oficialmente a guerra europeia — que se tornou mundial após o ataque japonês a Pearl Harbor, em 7 de dezembro de 1941. Nesse mesmo ano, Adolf Hitler rompeu o pacto firmado com a União Soviética e lançou a Operação Barbarossa, invadindo o território soviético.
De um lado formou-se o bloco das Nações Unidas (como se autodenominavam os EUA, o Reino Unido e a União Soviética, entre outros); do outro, os países do Eixo (liga formada pela Alemanha, Itália, Japão e outras nações).



Guerra Relâmpago
Utilizando a estratégia da “guerra-relâmpago”, os alemães conquistaram rapidamente diversos territórios europeus. Em 1940, Dinamarca, Noruega, Bélgica, Holanda e França foram ocupadas. Apenas o Reino Unido resistiu aos ataques aéreos alemães durante a chamada Batalha da Inglaterra.
A Segunda Guerra Mundial envolveu combates na Europa, África, Ásia e Oceano Pacífico. Entre os episódios mais marcantes destacam-se as batalhas de El Alamein, Midway e Stalingrado, consideradas decisivas para a virada da guerra a favor dos Aliados, além do Dia D, quando teve início a libertação da França ocupada.
O Brasil participou do conflito enviando a Força Expedicionária Brasileira – FEB para lutar na Itália ao lado dos Aliados. Os pracinhas brasileiros participaram de importantes batalhas, como as de Monte Castello e de Montese.
A guerra terminou em 1945, após o suicídio de Hitler, a rendição alemã e o lançamento das bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki pelos Estados Unidos, levando à rendição japonesa.
Decorrências do conflito mundial
Em resumo, a Segunda Guerra Mundial deixou consequências profundas para a humanidade, tornando-se o conflito o mais destrutivo da história da humanidade. Segundo o historiador Max Hastings, o maior conflito armado da história da humanidade ceifou cerca de 70 milhões de vidas . Cidades inteiras foram arrasadas, milhões de pessoas ficaram desabrigadas e diversas economias nacionais entraram em colapso.
Uma das consequências mais marcantes do conflito foi a revelação dos crimes cometidos pelos nazistas durante o Holocausto, no qual milhões de judeus e outras minorias foram assassinados. A descoberta dos campos de extermínio chocou o mundo e fortaleceu debates sobre os direitos humanos e os crimes contra a humanidade. Pelo lado soviético, o Massacre de Katyn liquidou dezenas de milhares de membros da elite da população civil e militar polonesa, entre abril e maio de 1940. O extermínio foi planejado e executado pela NKVD (polícia secreta soviética), sob ordem direta de Josef Stalin. Após a guerra, os líderes nazistas foram julgados no Julgamento de Nuremberg.
Politicamente, a guerra alterou completamente o equilíbrio mundial. A Alemanha acabou dividida entre as potências vitoriosas, enquanto os Estados Unidos e a União Soviética emergiram como superpotências rivais. Essa rivalidade deu origem à Guerra Fria, marcada pela disputa entre capitalismo e socialismo que perdurou durante décadas.
Em 1945, criou-se a Organização das Nações Unidas (ONU), com o objetivo de promover cooperação internacional e evitar novos conflitos globais. A guerra também acelerou processos de independência em territórios na África e na Ásia, enfraquecendo antigas potências coloniais europeias.
No campo tecnológico, o conflito impulsionou avanços na medicina, aviação, comunicações e indústria militar. Contudo, também inaugurou a era nuclear após o uso das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, aumentando o temor mundial de uma hecatombe com a destruição em massa da humanidade.
Participação do Brasil na guerra

A participação da Força Expedicionária Brasileira na guerra fortaleceu as Forças Armadas e contribuiu para as pressões políticas que culminaram no fim do Estado Novo, de Getúlio Vargas, em 1945. A memória dos pracinhas permanece como símbolo da participação brasileira na luta contra o totalitarismo e em prol do fortalecimento da liberdade e dos ideais democráticos no Brasil.
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