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Harro Schacht U-507

O papel do capitão-de-corveta alemão Harro Schacht, comandante do U-507, é relativamente bem conhecido pelos brasileiros, embora o seu protagonismo esteja muito além das versões elaboradas pela historiografia do tema. O submarinista germânico teve nas mãos a oportunidade de influir decisivamente nos rumos da guerra travada pelo Afrika Korps no deserto africano. Contudo, ao invés disso, a sua impetuosidade em agosto de 1942 ofereceu aos Aliados a oportunidade para alavancar a vitória na Batalha do Atlântico. Harro Schacht figura como um personagem tão relevante quanto pouco conhecido na história da Segunda Guerra Mundial: o fiel da balança no conflito.

RESUMO: Harro Schacht : um capitão na encruzilhada da guerra oferece uma reavaliação da vitória Aliada na Segunda Batalha de El Alamein (11 nov. 1942): o ponto de inflexão da Segunda Guerra Mundial. A batalha foi minuciosamente estudada por décadas, até ser considerada por muitos como um evento historicamente esgotado. Todavia, uma pesquisa original em arquivos alemães, brasileiros e norte-americanos, revela um fato novo e surpreendente. Este artigo fornece evidências concretas de que o sucesso Aliado em El Alamein e na Batalha do Atlântico passou pelas mãos de um protagonista pouco conhecido.

O que podemos fazer para ajudar?

Na manhã do dia 21 de junho de 1942, os dois homens mais poderosos do Ocidente estavam reunidos no salão oval da Casa Branca, em Washington. O presidente Franklin Roosevelt e o primeiro-ministro Winston Churchill discutiam a estratégia da guerra Aliada contra o Eixo.  No meio da reunião, um telegrama chegou às mãos de Roosevelt. O presidente leu a mensagem e, sem dizer uma só palavra, repassou-a a Churchill, que estava de pé, a seu lado.Ao tomar ciência do conteúdo, o inglês deu meio passo para trás, como para melhor se equilibrar, e suas famosas bochechas rosadas empalideceram subitamente. O teor do telegrama era devastador: “Tobruk rendeu-se. 25.000 homens foram feitos prisioneiros”.

A fortaleza inglesa no norte da África caíra nas mãos alemãs.[i] A queda de Tobruk frente ao Afrika Korps atingiu em cheio o orgulho do líder inglês, que descreveria com sinceridade o momento crítico em suas Memórias: “Foi o mais duro impacto que me recordo em toda a guerra, não apenas pelos seus graves efeitos no Exército, mas na reputação dos Exércitos britânicos”.

Roosevelt perguntou ao abalado colega britânico, “O que podemos fazer para ajudar?” Ainda sob o choque da notícia terrível, Churchill respondeu de imediato, sem vacilar ou recorrer a nenhum dos seus assessores militares, “Nos dê o máximo de blindados Sherman quanto puder, e os envie para o Oriente Médio tão rápido quanto possível”.[ii] Assim, no dia 13 de julho de 1942, partiu de Nova York o comboio AS-4, levando 317 blindados M4 – “Sherman”, 94 obuseiros autopropulsados de 105 mm “Priest”, 13.000 toneladas de munição e materiais diversos.[iii]

Com o Mar Mediterrâneo interditado para a navegação Aliada, a única rota marítima para abastecer as tropas do Commonwealth no Egito precisava dar a volta no continente africano. O trajeto impunha uma longa e arriscada travessia do Oceano Atlântico, contornando o Cabo da Boa Esperança, em meio a águas patrulhadas por submarinos nazistas, italianos e até japoneses. Segundo a História da U.S. Navy, “É possível que, quando a história de toda a guerra for escrita, o AS-4 seja considerado o grupo mais importante de cargueiros transportados dos Estados Unidos para um porto estrangeiro”.

Telegrama de Churchill a Roosevelt Segunda Guerra Mundial
Telegrama de Churchill a Roosevelt, agradecendo o envio dos 317 Shermans e 94 Priests no “dia negro de Tobruk” (NARA).

O “Navio do Tesouro”

Na manhã de 16 de julho de 1942, quando o U-161 fazia exercícios de submersão, o AS-4 surgiu diante da sua proa. Sem perder tempo, uma salva de torpedos foi lançada contra o comboio. Após dois minutos e meio, quando duas grandes explosões estremeceram o oceano, o capitão alemão julgou ter acertado um navio-tanque. Na verdade, dois torpedos atingiram o cargueiro SS Fairport, afundando-o após dez minutos.

Todos os mais de 130 tripulantes e passageiros do navio foram salvos e trazidos de volta a Nova York, mas a carga foi totalmente perdida. Por um golpe de sorte, o resultado fora uma centena de vezes melhor do que o naufrágio de um navio-tanque. Na pressa, os Shermans haviam sido embarcados sem os motores instalados, que foram colocados a bordo do Fairport.[iv] Sem eles, os itens mais valiosos da Divisão Blindada levada ao Egito não passavam de carcaças inúteis.

Segundo Churchill, as autoridades norte-americanas intervieram rapidamente para repor a perda do Fairport, “Sem que disséssemos uma única palavra, o presidente e Marshall colocaram mais motores em outro navio veloz e o enviaram para alcançar o comboio. ‘Um amigo na hora da necessidade é um amigo de verdade’”. [v] Dada a situação crítica no Egito, e com o transporte do material bélico dos EUA até a frente de combate demorando cerca de 70 dias, não havia tempo a perder. O navio escolhido para repor a perda foi o U.SA.T. Seatrain Texas.

Em 29 de julho, o Seatrain Texas zarpou do cais do Brooklyn com destino ao porto de Tewfik, no Canal de Suez, com escala prevista na Cidade do Cabo. Durante o briefing da viagem, um almirante teria sussurrado no ouvido do comandante do navio, o capitão Kenneth G. Towne, de 44 anos, “Roosevelt está dando as ordens pessoalmente sobre isso”.[vi] Os ingleses aguardavam tão ansiosamente pela chegada do cargueiro que lhe deram um codinome emblemático: “Treasure Ship” (o Navio do Tesouro).[vii]

Seatrain Texas
O Seatrain Texas descarregando veículos no norte da Irlanda. (National Archives)

Viagem temerária

O Seatrain Texas viajaria sozinho até o destino, pois não havia escolta de proteção disponível. Restava ao capitão Towne navegar em ziguezague na velocidade de 15,5 nós — veloz para um navio mercante do seu porte, porém, incapaz de livrá-lo dos predadores de aço do Eixo. O navio recebeu uma escolta de bombardeiros durante os primeiros cinco dias, até o limite do raio de ação das aeronaves, e depois foi abandonado à própria sorte. Até a Cidade do Cabo, ele teria pela frente 21 dias de viagem num oceano infestado de U-boots inimigos.

No dia seguinte à partida do navio, Marshall informou a Roosevelt que seus assessores não haviam chegado a uma conclusão quanto ao resultado do avanço de Rommel: se o alemão levaria uma ou duas semanas para chegar ao Cairo. O presidente então perguntou: “Há mais alguma medida que possamos tomar imediatamente que possa afetar favoravelmente a situação no Oriente Médio?” A resposta foi um enfático “não”. Naquela ocasião, a única ação possível nas mãos de Washington para ajudar os aliados ingleses viajava praticamente indefesa nas águas do Atlântico.

Nos anos 1940, o poder combativo de um exército na guerra no deserto fundamentava-se nas virtudes da sua Força blindada, e residia justamente nesse quesito o calcanhar de Aquiles dos ingleses. Mesmo com um efetivo de tanks superior aos alemães, seus blindados eram batidos pelo Afrika Korps com relativa facilidade. A ausência de um blindado confiável disseminava um sentimento generalizado de inferioridade, abalando o estado moral da tropa. Tal carência seria resolvida com a chegada do “Navio do Tesouro”.

Seatrain Texas
O comandante e tripulação do Seatrain Texas foram condecorados por seus papéis na contenção do avanço de Rommel (NARA).

Nos mandem mais Shermans!”

Os Shermans possuíam todas as vantagens dos antigos modelos e nenhuma das suas desvantagens.[viii] Sua guarnição era de apenas cinco homens — ao invés de sete, nas versões anteriores.[ix] Ao contrário dos obsoletos M3, com seus dois canhões, os novos modelos M-4 vinham com um único e eficiente canhão de 75 mm, preso numa torre giratória de novo design.[x] O canhão da torre dos M3, de apenas 37 mm, era incapaz de ultrapassar a blindagem dos Mark IV, enquanto o de 75 mm, instalado no chassi, obrigava a guarnição a girar o blindado com as esteiras para engajar os adversários — algo semelhante ao sujeito imobilizado com um colar cervical conversando numa roda de amigos.

Evidentemente, todo o comandante fez o que pôde para obter os novos blindados no lugar dos Grant e dos Crusaders.[xi] Um sargento do 10th Royal Hussars afirmou, “Foi a primeira vez que tivemos uma arma que era equivalente à dos alemães”.[xii]

Quando teve início a batalha de El Alamein, a relação entre as forças blindadas oponentes era de 5 para 1 a favor dos Aliados, com os Shermans compondo 21% dos tanks do VIII Exército.[xiii] Rommel já havia profetizado que se os ingleses recebessem blindados e armas antitanque de melhor qualidade estaria terminada a campanha alemã na África, “Caso isso aconteça, significará, certamente, o fim para nós”.[xiv] Uma semana após o início da Segunda Batalha de El Alamein, o general Alexander, Comandante-em-Chefe do Oriente Médio, enviou uma mensagem a Londres, retransmitindo o pedido dos subordinados, “ As tropas estão dizendo: ‘Nos envie mais Shermans!’”.[xv]

Em seu famoso discurso no Congresso dos EUA, em maio de 1943, Churchill afirmou, “O tanque Sherman era o melhor tanque no deserto em 1942, e a presença dessas armas desempenhou um papel considerável na derrota do exército de Rommel na batalha de El Alamein e na longa retirada que o levou de volta à Tunísia”.

Foram as centenas de Shermans e outros blindados recebidos no começo de setembro que possibilitaram mobiliar o 10º Corpo de Reserva inglês. Segundo Montgomery, o novo Corpo “seria para nós o que o Afrika Korps era para Rommel”.[xvi] Usando esta grande unidade — chamada por ele de “meu corps d’elite” —, composta por três Divisões Motorizadas, a linha defensiva do Afrika Korps foi rompida pelo VIII Exército começo de novembro, decidindo a vitória em El Alamein em favor dos ingleses.[xvii]

O capitão Harro Schacht e o U-507

Para que Montgomery montasse o seu “Corpo de Elite”, era preciso que o Seatrain Texas chegasse ao destino. O sucesso ou não da chegada do cargueiro norte-americano ao VIII Exército seria capaz de mudar a maré da guerra no deserto a favor dos Aliados ou do Eixo.

Seguindo as instruções de navegação baixadas pela U.S. Navy, o Seatrain Texas partiu no encalço do comboio AS-4 usando uma rota que passava, provavelmente, a cerca de 100 milhas náuticas a oeste do Arquipélago de São Pedro e São Paulo — justamente na região onde os predadores de aço nazistas montavam guarda.

Nos meses de julho e agosto de 1942, o Comando de Submarinos alemão estava vivamente interessado em cortar as vias de suprimento das tropas britânicas no Egito. O almirante Karl Dönitz empregava uma estratégia de bloqueio naval usando “alcateias” de submarinos atuando em várias regiões de operações. Para esta região do estreito oceânico entre as Américas e o continente africano — a “cintura do Atlântico” — foi enviado o U-507, do capitão-de-corveta Harro Schacht.

Harro Schacht  U-507
Harro Schacht: Comandante do U-507 (Foto do DPHDM colorizada com IA).
Quadratkarten u-507
Área de vigilância (em vermelho) designada para o U-507 próximo à costa brasileira em agosto de 1942 (Cortesia do Capitão Jerry Mason, USN).
U-507 indidente Lacônia

O U-507 (ao fundo) em 15 set. 1942, pouco depois de sua incursão na costa brasileira. A tripulação do submarino auxilia no resgate dos sobreviventes do naufrágio do RMS Laconia. (Wikimedia Commons)

“Erros indubitáveis”

As mensagens expedidas pelo Comando de Submarinos não deixam dúvida de que o bloqueio do tráfego naval Aliado rumo ao Egito era a missão principal de Schacht. Porém, com base na análise do diário de guerra do U-507, o oficial alemão imaginou-se encarregado de interceptar o tráfego britânico com destino a Freetown.

Determinado a interromper quase um mês de ócio, Harro Schacht resolveu dar um basta na situação. Após navegar por mais de uma semana no oceano vazio, enfastiado pela modorrenta patrulha de combate, uma conjunção de equívocos, precipitações e azares o fez abandonar a região. O alemão solicitou autorização para “manobras livres” no Brasil, onde queria surpreender os petroleiros que, na sua imaginação, estariam usando o Estreito de Magalhães para chegar a Freetown.

De posse do cartão de movimento do Seatrain Texas, pode-se afirmar que o navio atravessou a longitude do Arquipélago de São Pedro e São Paulo no seu 11º dia de viagem: 9 de agosto.[xviii] A projeção das rotas das duas embarcações indica o cruzamento delas sob a luz do dia, com ótimas condições meteorológicas e visibilidade de 10 a 12 milhas náuticas.[xix] Mas o fiel da balança da guerra já começara a pender para os Aliados quando Schacht mudou o curso do U-507 na véspera — menos de 24 horas antes da provável interceptação do cargueiro.

Partida do Seatrain Texas
Cartão de movimento do Seatrain Texas. As datas de partida de Nova York e de chegada à Cidade do Cabo estão indicadas pelas setas (NARA).
U-507 Setrain Texas
War diary u-507
Capa do Diário de Guerra da 3ª Patrulha de Combate do U-507, em 1942. (Uboat.net)
War Diary TF-23
Diário de Guerra da Task Force – 23, relatando um ataque aéreo ao U-507 pelo Esquadrão VP-83, em 18 ago. 1942 (FDR Library).

Na encruzilhada da guerra

Ao contrário do que muitos livros de História afirmam, não partiu de Adolf Hitler ou de Karl Dönitz a ordem de ataque ao Brasil.[xx] Descumprindo as ordens recebidas, Schacht empreendeu uma jornada destruidora na costa brasileira, onde afundou seis navios mercantes e de passageiros, matando mais de 600 pessoas: homens mulheres e crianças.[xxi] A população brasileira foi às ruas em revolta, provocando a entrada do país na guerra, o que permitiu a supressão das restrições brasileiras ao uso das suas bases navais e aéreas — que teriam um impacto decisivo para os rumos da Batalha do Atlântico.

Por fim, a missão do capitão Towne foi bem sucedida, entregando aos ingleses a remessa vital que lhe fora confiada. O navio recebeu uma equipe de estivadores britânicos a bordo, antes mesmo da atracação, tamanha era a pressa em receber a carga.[xxii]

A missão antológica do Seatrain Texas foi reproduzida em 1951, numa edição do The American Legion Magazine: The Ship nazis Had to Get (O navio que os nazistas tinham de pegar), e também em uma radionovela da The Cavalcade of America. Ambos estão disponíveis para download a seguir:

U-507 harro schscht afrika korps
Cavalacade of America
Clique para ouvir a radionovela.

Decorrências

No inverno de 1942, a derrota dos ingleses no norte da África e o desmoronamento do império soviético eram tidos como altamente prováveis. Entretanto, a situação seria revertida em alguns meses, após as batalhas de El Alamein e Stalingrado.

Embora Montgomery pouco tenha destacado a contribuição material norte-americana, ela foi fundamental para a vitória sobre o Afrika Korps, tanto em terra quanto no ar. Em outubro de 1942, quase metade dos esquadrões da Força Aérea do Deserto eram unidades do Exército dos Estados Unidos ou unidades da RAF operando aeronaves americanas [xxiii], causando danos consideráveis às linhas de suprimento, unidades de combate e instalações logísticas do Eixo

Sem o apoio material norte-americano e a superioridade aérea obtida pelo VIII Exército — com boa parte das aeronaves recebidas graças à escala nas bases brasileiras — a vitória sobre as forças de Rommel seria, na melhor das hipóteses, retardada e viria a grande custo. O limitado general Montgomery sobrepujou Rommel mediante uma pavorosa guerra de atrito, baseada na imprescindível superioridade material.

Em suas memórias, o Secretário de Estado Cordell Hull mencionou o valor das bases aéreas brasileiras para o esforço de guerra:

Sem as bases aéreas que o Brasil nos permitiu construir em seu território, a vitória na Europa ou na Ásia não teria sido tão rápida. Essas bases, projetando-se no Atlântico Sul, permitiram-nos enviar aviões de guerra através daquele oceano em ondas até a África Ocidental e, dali, para os teatros de operações na Europa ou para o Extremo Ocidente. Não fossem essas bases brasileiras, não teríamos conseguido fornecer tanta ajuda aos britânicos no Egito como obtivemos no momento crucial da Batalha de El Alamein.

Edward Stettinius, seu sucessor, emitiu opinião idêntica em suas memórias:

É justo dizer que, se não tivéssemos nos juntado aos britânicos no desenvolvimento desta rota [Miami – Natal – Oriente Médio], e se não tivéssemos recebido a plena cooperação do governo brasileiro, o Oitavo Exército não teria conseguido a esmagadora superioridade aérea que possibilitou a vitória em El Alamein. Nem as nossas entregas de aviões para a frente russa teriam chegado perto das centenas que conseguimos realizar.[xxiv]

sHERMANS NO VIII Exército
Pintados com o modelo de camuflagem desértica, esses tanques médios M4 Sherman, de fabricação americana, ajudaram a inclinar a balança do poder no campo de batalha a favor do VIII Exército Britânico em El Alamein. Esses Shermans foram designados para a 7ª Divisão Blindada, os famosos “Ratos do Deserto” (warfarehistorynetwork.com).

“Erro indubitável””

Numa carta ao presidente Getúlio Vargas, Roosevelt disse:

A história certamente registrará que o ponto de virada da guerra no teatro europeu coincidiu com a atuação de seu governo ao fornecer bases e instalações que contribuíram tão materialmente para a campanha africana. É meu desejo, portanto, que Vossa Excelência, e por seu intermédio o povo brasileiro, compreenda o apreço deste Governo e do povo americano pela ajuda vital que o Brasil prestou à nossa luta comum contra as Potências do Eixo.

O historiador naval Samuel E. Morison escreveu, “A entrada do Brasil na guerra, em 22 de agosto de 1942, foi um evento de grande importância na história naval”. Ninguém melhor que Dönitz para avaliar o resultado da ação do U-507, “Foi sem dúvida um erro indubitável ter levado o Brasil a uma declaração oficial [de guerra]”.

Harro Schacht se viu diante de uma encruzilhada ímpar da Segunda Guerra Mundial. Poderia ter enviado para o fundo do mar a mais preciosa carga trazida por um navio isolado em todo o conflito. Contudo, para a sorte dos Aliados, deixou escapar a chance de entrar para a história como um herói da Alemanha nazista.

Ao invés disso — por azar ou decisão infeliz — o capitão germânico escolheu outro caminho. Transformou-se em vilão dos brasileiros, desencadeando uma cadeia de acontecimentos que daria aos Aliados o controle do estreito oceânico em um momento capital da Batalha do Atlântico. Talvez não se encontre outro oficial do seu nível hierárquico com tamanha oportunidade para alterar os rumos de uma guerra mundial.

Avaliação: 5 de 5.

Este artigo é um excerto do livro Operação Brasil: O ataque alemão que mudou o curso da Segunda Guerra Mundial, disponível na Amazon.

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Fontes

[i] CHURCHILL, W. The Hinge of Fate, Vol IV, London: Mariner Books, 1950, p. 43.

[ii] Id., p.344.

[iii] Churchill to Roosevelt – Cablegram nº XXXC 154, September 12th, 1942. United States Naval Administration in World War II, Commander South Atlantic Force, Commander-in-Chief, Atlantic Fleet, Vol XI, CXLVI, p.59; NARA, World War II Diaries 1941-1945, War Diary, 17 Jul 1942, Foreign Stations, 305241; WARDLOW, Chester. The Transportation Corps: Movements, Training, and Supply, Washington, DC: Center of Military History, 1999, U.S. Army, Pub. 10-19, p. 335.

[iv] CHURCHILL, W. Op. Cit., p.344.

[v] Ibid.

[vi] WINCHESTER James H., The Ship the Nazis had to get, The American Legion Magazine, August 1951, p.55.

[vii] Ibid.

[viii] Id., p.49.

[ix] Ibid.

[x] ZALOGA, Steven, Armored Thunderbolt: The US Army Sherman in World War II, Mechanisburg: Stackpole Books, 2008, p.30.

[xi] Id., p.155.

[xii] Id., p.165.

[xiii] BUCHANAN, Andrew, Op. Cit., p.289.

[xiv] Ibid.

[xv] BUCHANAN, Andrew, Op. Cit., p.290.

[xvi] LAW, Bernard, Memórias do Marechal de Campo Visconde Montgomery de Alamein, K.G. São Paulo: IBRASA, 1960, pp. 74 and 80.

[xvii] Id., pp.98-103.

[xviii] Seatrain Texas Movement Card, NARA.

[xix] KTB U-507, 10 Ago 1942. War Diaries of U-507, gently given by Capt. Jerry Mason (U.S. Navy Ret.).

[xx] Including Doenitz Memoirs, DOENITZ, Karl, Memoirs, Ten Years and Twenty Days, London: Frontline Books, 2012, p.240.

[xxi] PEREIRA, Durval Lourenço, Operação Brasil : O Ataque alemão que mudou o curso da Segunda Guerra Mundial, São Paulo: Contexto, 2015, pp. 200-212; KTB U-507, 7 – 22 Aug. 1942

[xxii] WINCHESTER James H., Op. Cit., p.55.

[xxiii] BUCHANAN, Andrew, Op. Cit., p.291.

Avaliação: 1 de 5.

2 respostas a “Harro Schacht : um capitão na encruzilhada da guerra”

  1. […] Capitão de Corveta Harro Schacht, comandante do U-507, recebeu a missão de atuar na zona central do Atlântico, a fim de […]

  2. […] de uma mesma pessoa, quanto em meados de agosto de 1942. No comando do U-507, o capitão-de-corveta Harro Schacht desencadeou um violento ataque contra a navegação de cabotagem brasileira, torpedeando e […]

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  1. […] Capitão de Corveta Harro Schacht, comandante do U-507, recebeu a missão de atuar na zona central do Atlântico, a fim de […]

  2. […] de uma mesma pessoa, quanto em meados de agosto de 1942. No comando do U-507, o capitão-de-corveta Harro Schacht desencadeou um violento ataque contra a navegação de cabotagem brasileira, torpedeando e […]

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