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Tropa de infantaria especializada no combate de montanha, os soldados alpinos do Exército Italiano colaboraram brilhantemente com os pracinhas. Eles ombrearam junto à FEB como força combatente em diversos pontos da extensa linha de frente atribuída aos brasileiros. O general Mascarenhas de Moraes prestou-lhes referência elogiosa em suas memórias:

“[…] Partilham da sorte da nossa gente, sofrem conosco as reações do inimigo, derramando, com os nossos combatentes, o sangue generoso e oferecem a vida, como nós, pela extirpação da prepotência do Velho Continente. Conduzindo, na montanha, o alimento para os nossos homens e a munição que mata e fere o inimigo, estes bravos italianos se têm imposto pela dedicação e desprendimento. […]”

São extremamente raras as fotos desses combatentes, que ficaram na memória dos veteranos como prestimosos colaboradores no apoio logístico. Infelizmente, a cobertura fotográfica da expedição brasileira não adotou a prática de identificar as fotografias no verso com uma etiqueta. Essa era uma prática comum nos demais serviços de informação Aliados.

As imagens da FEB normalmente carecem de informações básicas do tema em destaque (O quê/quem, quando e onde). Por isso, coube aos futuros pesquisadores a tarefa colossal de tentar responder a essas questões. Isso foi feito por meio da análise de imagens com pouca ou nenhuma referência — ou, até mesmo, indicações equivocadas.

Graças à História do Exército Brasileiro, em sua edição comemorativa ao sesquicentenário da Independência, pudemos identificar uma série fotográfica com os alpinos. Também foi possível identificar o local aproximado de registro, numa região entre Querciola e Gabba, no limite oeste da zona de ação da FEB, durante o inverno de 1944-45. Lá estava o III Batalhão do 11º Regimento de Infantaria, o “Lapa Azul”. Mais precisamente, estava ali sua 9ª Cia.

A proximidade com a tropa vizinha, dos norte-americanos da Task Force 45, dá suporte ao testemunho do saudoso veterano Antônio de Pádua Inham, no documentário “O Lapa Azul”. Nessa obra, com muito bom humor, o “Toninho”, soldado da 9ª Cia, nos conta as peripécias das patrulhas da FEB que retornavam pelo território controlado pelos estrangeiros. Ali, os brasileiros se aproveitavam da desatenção dos aliados. Assim, conseguiam surrupiar o cobiçado fuzil Garand.

Soldados alpinos
Fotografia do livro História do Exército Brasileiro – Vol 3.
Soldados alpinos
Durante o inverno, os alimentos eram levados até a linha de frente pelos soldados alpinos, utilizando trenós tracionados por equinos ou muares. Conforme as circunstâncias exigissem, os próprios homens da guarnição tinham de realizar o penoso serviço.
Campo de batalha hoje
Região aproximada da série de fotos históricas, entre Querciola e Gabba: área do “Lapa Azul”. Ao fundo, a cidade de Vidiciático, já na zona de ação da Task Force 45. (Google Maps).

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