2–3 minutos

Eu não sou forte 💪

O soldado Antonio de Padua Inhan (Toninho), da 9ª Cia do 11º Regimento de Infantaria, completou 19 anos em alto-mar, a bordo do USS General M. C. Meigs, durante a viagem do 3º Escalão da Força Expedicionária Brasileira (FEB) para a Itália. A história a seguir — uma de suas muitas e hilárias aventuras — faz parte do livro “Guerreiros da Província”. Foi reconstituída por meio de testemunhos.

As lutas de boxe eram prática comum nos navios da Marinha dos EUA. Elas serviam para entreter a tropa durante as longas, perigosas e monótonas travessias dos oceanos.

Toninho percebeu a montagem de um tablado de lona sobre o convés, cercado por cordas e debaixo do sol causticante da região Equatorial. Esse era o cenário de um torneio de boxe. O evento foi algo do qual o espevitado aniversariante jamais perderia a oportunidade de participar.

Inscreveu-se na competição.


Calçou as luvas e, para melhor se esquivar dos golpes do oponente, entrou descalço no ringue. Ele gingava faceiro em meio aos assovios, gritos e palmas de incentivo da torcida. Com seus 1,65m e 60 kg, jamais seria um oponente temível. Principalmente para o adversário que o sorteio das chaves lhe reservara: o brutamontes campeão da Marinha americana. Um capitão fazia o papel de juiz.

“Com uns poucos minutos de luta, meu pé começou a dar bolhas d’água”, disse o lutador canarinho, ensaiando uma desculpa.

“I no strong”

Ele percebera a manha dos estrangeiros, que usavam lutas de boxe e encenações hilárias, como a do “batismo do Rei Netuno”, para divertir os viajantes e promover a interação com a marujada. Além disso, a fim de tornar o evento mais emocionante, o forte e experiente boxeador americano tinha estratégia definida. Primeiro, se colocava na defensiva e absorvia os golpes dos oponentes, dando a impressão de que seria derrubado. Depois, revidava, “descendo o braço” nos adversários até perto do nocaute.

Assim que se replicou o epílogo desse padrão, o mineirinho usou seu magro inglês para apelar ao juiz. Pediu a interrupção imediata da luta:

“Aí eu já tinha dado umas porradas no americano e, na hora dele me pegar, eu falei: ‘I no strong’ [Eu não sou forte]. Aí ele ficou [um] filho da mãe comigo de eu dar no pé”.

Toninho escapuliu do ringue e deixou furioso o lutador gringo.

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Guerreiros da Província: a jornada épica da Força Expedicionária Brasileira, Juiz de Fora, Insight Books, 2024, p. 247.

Avaliação: 1 de 5.

2 respostas a ““I no Strong””

  1. […] cidade portuária, à espera dos navios de transporte. Por fim, questões de segurança impunham o embarque célere do contingente, operação inviável a partir do interior fluminense. Em 6 de março de 1944, os 15 cadetes […]

  2. Avatar de valiantlyobservantf65849f1a3

    Sargento Zacarias Izidoro Cardoso um herói esquecido pelo seu povo😥

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  1. […] cidade portuária, à espera dos navios de transporte. Por fim, questões de segurança impunham o embarque célere do contingente, operação inviável a partir do interior fluminense. Em 6 de março de 1944, os 15 cadetes […]

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