4–6 minutos

“Querem mulher?”

— Vamos conhecer Nápoles! — falou a eles.

Deixaram a viatura numa praça e passaram a caminhar em duplas, cercados por “enxames” de meninos andrajosos, com as mãos estendidas a lhes pedir de tudo. Carqueja e Marino andaram meio quarteirão, até a abordagem de um rapazote de 12 ou 13 anos, que os interpelou:

 — Brasiliani, volete signorina? (Brasileiros, [vocês] querem mulher?).

Marino respondeu:

— Quero!

O rapaz os levou até uma casa, meia quadra adiante, e os apresentou à sua família:

Mia madre e le mie tre sorelle (Minha mãe e minhas três irmãs) — uma senhora e meninas entre 10 e 14 anos.

 Marino [cuja mãe nascera na Calábria] ficou indignado:

Mamma, questa è l’Italia?!” (Mãe, está é a Itália?!).

Mostrou-lhe a parte interior do antebraço e disse:

— Aqui corre sangue italiano. Então [a Itália] é isso?

Ela o chamou de filho:

— Filho meu, nós vendemos o corpo para não morrermos de fome.

A dupla remexeu os bolsos, repassando à família as cartelas de cigarros e as barras de chocolate que traziam. O pracinha filho de italianos disse à mulher:

— Mãe, te dou nada porque vocês têm menos que nada — Ela começou a chorar.

Ambiente deletério

Crianças prostitutas italianas
Meninas prostitutas de Nápoles recolhidas das ruas para o Albergo di Poveri (1944) – Wikipedia.
José Marino pracinha da FEB
José Marino: choque com a devassidão na terra dos seus antepassados.
José Marino relembra a sua primeira visita a Nápoles.
Soldado goumier marroquino afia a sua baioneta (1944)

O plano Aliado

O plano consistia em fazê-las atravessar a linha de frente para disseminar a doença em território inimigo, pagando-as com moedas de ouro que elas esconderiam no reto, além de algumas notas comuns de lira.

Avaliação: 5 de 5.
Guerreiros da Província A FEB na Segunda Guerra Mundial


Fontes

[1] Claudio Luiz de Oliveira, A agência do Banco do Brasil junto à Força Expedicionária Brasileira (AGEFEB) no Teatro de Operações da Itália (1944-1945), Revista do Exército Brasileiro, 25 jan. 2022.

[2] Nilson Vasco Gondin, Liberdade escrita com sangue: um manezinho na segunda guerra mundial, Florianópolis, Insular, 2001, p. 79.

[3] Norman Lewis, Nápoles, 1944, um inglês no labirinto italiano, São Paulo, Nova Fronteira, 2003, p. 104.

[4] Ibid., p. 106.

[5] Ibid., p. 105.

[6] Ibid., p. 106.

4 respostas a “Nápoles – 1944: a cidade do pecado”

4 respostas a “Nápoles – 1944: a cidade do pecado”

  1. […] a nossa jornada pelas regiões da Campania (Nápoles) e Lazio (Roma e […]

  2. […] Ligação dos EUA trouxe o testemunho do coronel Júlio Prestes, Oficial de Ligação brasileiro em Nápoles: “Em alguns casos receberam os uniformes apenas algumas horas antes do […]

  3. […] fala da paixão entre um soldado brasileiro e uma italiana loura durante a campanha da FEB na Itália. O final da música é triste, pois o casal foi separado ao final da guerra, visto que as […]

  4. […] ferroviárias levaram os expedicionários até Agnano, localidade no subúrbio de Nápoles, conhecida entre os antigos gregos e romanos por suas termas […]

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