
Entre as muitas canções que marcaram a trajetória da Força Expedicionária Brasileira (FEB), poucas são tão populares entre os veteranos e estudiosos da história militar brasileira quanto “Capitão Yedo Comandou”, de autoria do cabo Seraphim José de Oliveira, do grupo musical Expedicionários em Ritmos.
Repleta de expressões típicas da época, a composição preserva não apenas lembranças da Campanha da Itália, mas também fragmentos do cotidiano dos brasileiros que viveram durante a década de 1940, quando a carne raramente visitava a mesa das famílias humildes.
Uma das expressões utilizadas é o curioso verso:
“Foi só pena que voou!…”

Ingrediente raro
Durante boa parte do século passado, especialmente nas áreas rurais e nas cidades do interior, era comum as famílias cuidarem de galinheiros no quintais das casas. O almoço de domingo, momento especial de reunião familiar, frequentemente incluía uma galinha abatida poucas horas antes do preparo.
Para muitos jovens leitores do século XXI, acostumados a devorar lanches nas fast-foods, a comprar frangos na padaria da esquina, ou a receber na porta de casa refeições entregues pelos motoboys, a frase pode parecer estranha ou até sem sentido. No entanto, para os brasileiros das gerações anteriores, seu significado era imediatamente compreendido.
Havia grande agitação por ocasião do abate, com o galináceo agitado e desesperado, soltando penas para todos os lados durante a fuga da cozinheira. Depois, vinha a etapa de retirar as penas da ave — processo realizado manualmente, que costumava espalhar as penas pelo quintal, carregadas pelo vento ou lançadas durante a depenação. Quem observasse a cena à distância poderia dizer que “só pena voou”, expressão associada a uma situação em que houve grande movimentação, alvoroço ou confusão.
A frase acabou incorporada ao linguajar popular e encontrou espaço em músicas, anedotas e histórias contadas entre amigos. No ambiente militar, onde o humor sempre serviu para aliviar as tensões do serviço e da guerra, expressões desse tipo eram frequentemente utilizadas para descrever situações de perigo e combates renhidos.
Fragmento da memória
Quando ouvimos hoje o verso de “Capitão Yedo Comandou”, estamos diante de algo mais valioso do que uma simples música de guerra. Trata-se de uma pequena janela para o cotidiano dos brasileiros que compunham a FEB. Eram homens oriundos, em sua maioria, de famílias simples, acostumados à vida no campo ou nos bairros populares das cidades. Suas referências culturais, seu modo de falar e suas brincadeiras viajaram com eles até a Itália e permaneceram preservados em suas canções.
Assim, ao escutarmos que “foi só pena que voou!”, não estamos apenas ouvindo uma expressão pitoresca, mas reencontrando um pedaço da memória de uma geração que deixou o conforto do lar para lutar pela liberdade, levando consigo os costumes, as palavras e as lembranças do Brasil de seu tempo.
Já conhece a história do capitão Yedo Jacob Blauth, um dos heróis da conquista do Monte Castello? Visite o post dedicado a ele. Preserve a canção histórica na sua roda de amigos e conhecidos, como nesta reunião.

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