História da FEB

Rompendo a Linha Gótica – I

No front italiano, os homens do Quinto e do Oitavo Exércitos Aliados batalharam em terrenos acidentados, sob condições climáticas miseráveis, e contra uma resistência alemã determinada.

A Campanha da Força Expedicionária Brasileira costuma ser interpretada erroneamente quando descrita por avaliações estanques, dissociadas dos esforços dos exércitos Aliados na Itália como um todo. Assim, antes de iniciarmos uma nova série de artigos sobre a FEB, vamos situar o leitor no contexto dos rudes combates do Quinto Exército (EUA) e do Oitavo Exército (Reino Unido), diante da famosa Linha Gótica.

O ótimo texto a seguir pertence a Michael E. Haskew, publicado no Warfare History Network.(https://warfarehistorynetwork.com/2018/12/26/breaching-the-gothic-line/). Eis a primeira parte, resumida e traduzida por nosso Blog:


A motivação era inconcebível. A derradeira linha de defesa na Itália era necessária, mas os comandantes seniores alemães duvidavam que ela pudesse ser assediada pelas forças Aliadas. Antes do início da campanha italiana, planos preliminares para uma forte linha defensiva ao norte das Montanhas dos Apeninos foram aprovados, e no verão de 1944 o impensável tornara-se realidade.

Ao norte dos Apeninos estava a ampla extensão do vale do Rio Pó e da planície da Lombardia, terrenos favoráveis para os movimentos de um exército moderno e mecanizado. O marechal-de-campo Erwin Rommel, que precedeu o marechal-de-campo Albert Kesselring no comando das tropas alemãs na Itália, relembrou o exemplo anterior, na Primeira Guerra Mundial, mostrando-se favorável à construção de uma linha de defesa ainda mais ao norte, nos Alpes. A proposta de Rommel, no entanto, foi rejeitada.

Defender os Apeninos negaria aos Aliados a vantagem tática que a apreensão do terreno favorável no vale do Rio Pó significaria, pois lá estavam as cidades de Bolonha, Modena e Milão — e as ricas terras agrícolas que forneciam grande parte dos alimentos para o Eixo. Hitler havia decretado ainda que o território deveria ser defendido apenas de forma relutante, e a Rodovia 9, a única boa estrada que corria de leste a oeste no norte da Itália, permitiria que os alemães rocassem tropas com velocidade razoável.

Empurrados para a Linha Gótica

Em agosto de 1944, as forças alemãs na Itália estavam em retirada ou lutando uma guerra defensiva há mais de dois anos. Os germânicos haviam sido expulsos do continente africano, forçados a abandonar a Sicília, e obrigados a conduzir um combate de retraimento até a bota da Itália. As perdas de blindados e outros veículos eram insubstituíveis, uma vez que o Reich era pressionado pelos exércitos americano e britânico na França, e pelo Exército Vermelho soviético avançando inexoravelmente a partir do leste. As perdas eram altas, com poucos substitutos de qualidade disponíveis.

Na primavera de 1944, o foco da Organização Todt, braço de construção paramilitar da Alemanha, estava na construção da Linha Gótica — prioridade para Kesselring, após meses de preocupação com eventos mais ao sul. Composto por trabalhadores italianos recrutados, muitos dos quais foram apanhados nas ruas das grandes cidades do país, os alemães estavam construindo às pressas um grupo de defesas que se estendia por 200 milhas: da base naval em La Spezia, no oeste, pelos Apeninos e o Vale do Foglia, até o porto adriático de Pesaro.

Qualquer movimento de tropas alemãs de tamanho considerável, bem como qualquer impulso ofensivo Aliado ao longo de qualquer costa italiana, estava ao alcance do poder de fogo naval esmagador dos EUA e da Inglaterra. Já o controle do ar estava de posse Aliados há muito tempo. Ataques aéreos táticos podiam devastar colunas alemãs que se movessem durante o dia, e a Décima Quinta Força Aérea, com sede em Foggia, realizava ataques diários contra alvos industriais no norte da Itália e na Alemanha. Na primavera de 1944, o efetivo da 15ª Força Aérea ultrapassou 50.000 homens, enquanto mais de 1.200 bombardeiros pesados, a maioria Boeings B-17 Flying Fortresses e Consolidated B-24 Liberators, despejavam toneladas de bombas.

Os comandantes alemães realistas não abrigavam ilusões de vitória, mas estavam severamente determinados a fazer com que as tropas terrestres Aliadas pagassem o preço mais caro possível por cada jarda conquistada na Itália. Os comandantes Aliados, por outro lado, esperavam romper a Linha Gótica e alcançar o Vale do Pó antes do inverno.

Enfrentando escassez de suprimentos e de mão-de-obra própria, os Aliados controlavam os portos de Livorno, na costa da Ligúria, e de Ancona, no Adriático. Estes estavam a apenas 50 km das linhas de frente, muito mais próximos do que os portos menores e as instalações em Nápoles, que haviam sido destruídas pelos alemães em retirada após os desembarques americanos em Salerno, em setembro de 1943. Portanto, um rompimento poderia ser sustentado de forma mais eficiente, permitindo o avanço mais rápido para o norte.

Durante as duas semanas anteriores à tentativa do II Corpo Polonês de atravessar o rio Metauro no leste, do início de agosto, aeronaves táticas fizeram cerca de 400 sortidas contra as posições alemãs. Os poloneses martelaram a 278ª Divisão de Infantaria alemã e a empurraram de volta para além do Metauro, amargando 300 mortos nos combates pesados. Em 25 de agosto de 1944, o Oitavo Exército renovou suas operações ofensivas com o V Corpo e o 1º Corpo Canadense, avançando rapidamente sobre o rio. Três dias depois, os alemães retiraram o Corpo Panzer LXXVI e o LI Mountain Corps para as defesas da Linha Gótica.

Os comandantes Aliados na Itália (da esquerda para a direita): tenente-general Sir Oliver Leese (Oitavo Exército), marechal-de-campo Sir Harold Alexander (comandante dos Exércitos Aliados na Itália), tenente-general Mark Clark (Quinto Exército).

O tenente Norton conquista o Monte Gridolfo

Movendo-se rapidamente em Pesaro, o Oitavo Exército, sob o comando do General Oliver Leese, estava pronto para flanquear o extremo leste da Linha Gótica. Primeiro, o ponto forte do Monte Gridolfo teria de ser neutralizado. Elementos da 26ª Divisão Panzer haviam tomado posições ao redor da cidade, poucas horas antes da chegada das primeiras tropas britânicas. Liderando um pelotão no ataque em 31 de agosto, o Tenente G.R. Norton do 1º Batalhão, 4º Regimento de Hampshire, receberia a Victoria Cross pela tomada de uma série de bunkers de concreto, mas ficaram aferrados pelo fogo inimigo vindo do seu flanco direito.

A história regimental do 4º Hampshire conta: “Por sua própria iniciativa, o Tenente Norton, sozinho, engajou uma série de posições inimigas.[…] Ele atacou a primeira posição metralhadora com uma granada, matando três elementos da guarnição; então, ainda sozinho, ele tomou caminho para a outra posição inimiga, com duas metralhadoras e 15 fuzileiros. Depois de uma luta que durou 10 minutos, varreu as duas posições de metralhadoras com sua Tommy Gun, matando ou aprisionando os elementos da guarnição.

Durante esses engajamentos, o tenente Norton esteve sob o fogo direto de uma arma inimiga autopropulsionada e, ainda sob fogo desta arma, liderou um grupo de homens que investiu contra uma casa. Liberou porão e salas superiores, fazendo vários outros prisioneiros e colocando os demais em fuga. Embora a esta altura ele estivesse ferido e fraco pela perda de sangue, continuou calmamente liderando seu pelotão […] e capturou as posições inimigas restantes.

Quando Norton foi mais tarde evacuado para um hospital de campo, a enfermeira designada para cuidar dele era sua irmã gêmea. No dia seguinte foi o aniversário deles.

Tropas da 1ª Divisão de Infantaria Britânica, anexadas ao Quinto Exército, avançam por uma trilha de montanha íngreme perto de Monte Pratene, em setembro de 1944.

Termina o Avanço do Oitavo Exército

Em 2 de setembro, os poloneses flanquearam os alemães em Pesaro. As tropas canadenses já haviam tomado Tomba di Pesaro, formando uma cunha entre a 26ª Panzer e a 1ª Divisão de Paraquedistas. No dia seguinte, o Oitavo Exército penetrou 16 km, comprometendo as defesas da Linha Gótica ao longo do Adriático. Parecia que os meses de trabalho investidos pelos trabalhadores alemães não obteria nenhum benefício tangível. O impressionante avanço do Oitavo Exército fizera 4.000 prisioneiros, e o general Traugott Herr, comandando o Corpo Panzer LXXVI, estabeleceu outra linha defensiva ao longo das escarpas do Monte Coriano.

A 46ª Divisão Britânica e o 1º Corpo Canadense tentaram, por mais de três dias, tomar a elevação, mas os veteranos defensores alemães mantiveram-se firmes. Durante a semana de 3 de setembro, caiu uma chuva torrencial, interrompendo o esforço do Oitavo Exército. Além do Monte Coriano, estavam as posições-chave de San Fortunato e da cidade de Rimini. Com Rimini em suas mãos, os britânicos esperavam explorar a Planície de Romagna, tida como apropriada para a ação de blindados, graças ao terreno firme.

A deterioração do clima, no entanto, provou ser um grande adversário, abalando o ímpeto do ataque Aliado, que havia sofrido 8.000 baixas nas últimas investidas. A Linha Gótica estava próxima, mas as tropas do Oitavo Exército estavam exaustas e enfrentavam reforços alemães descansados.

Ameaçador bunker alemão na Linha Gótica, dominando a estrada: na verdade, um blindado Panther (ou sua torre) enterrado.

A Penetração de Mark Clark da Linha Gótica

Quando o Oitavo Exército começou sua ofensiva, Kesselring vacilou antes de empregar as preciosas reservas alemãs. Os eventos posteriormente o obrigaram a retirar tropas do centro da Linha Gótica, movendo-as para o leste ao longo da Rodovia 9, a fim de impedir o avanço Aliado na frente adriática. O crédito deve ser dado ao General Harold Alexander, comandante do 15º Grupo do Exército, que previu tal reviravolta e ofereceu oportunidade para o Quinto Exército dos EUA, sob o comando do General Mark Clark, dar um golpe contra o enfraquecido centro da Linha Gótica, a menos de 20 milhas ao norte de Florença.

A maior parte do Quinto Exército cruzou o Arno contra apenas a leve oposição. Pisa, lar da famosa torre inclinada, foi capturada em 2 de setembro, e o II, IV e XIII Corpos avançaram. O IV Corpo ficou para trás, enfrentando contra forte resistência ao longo da Rodovia 65. Clark considerou duas vias de ataque à Linha Gótica: o Passo de Futa, na Rodovia 65, e o Passo de Il Giogo, seis milhas a leste. Os alemães tinham colocado suas defesas mais fortes no Passo de Futa, acreditando que o avanço Aliado escolheria o terreno da melhor estrada na região.

Clark argumentou que o avanço através do Passo de Il Giogo flanquearia as fortes defesas no Passo de Futa, tomando Firenzuola, cinco milhas distante, facilitando a retomada do avanço ao longo da Rodovia 65, ou então por uma estrada secundária através de Ímola até a cidade de Bolonha, 60 milhas ao norte de Florença — porta de entrada para o Vale do Pó. Ele também esperava a ajuda de uma nova ofensiva do Oitavo Exército contra Bolonha.

Quando o Quinto Exército se aproximou da Linha Gótica, nos dias 12 e 13 de setembro, apenas um regimento alemão, o 12º Regimento da 4ª Divisão de Paraquedistas, guardava o Passo de Il Giogo; os dois outros regimentos da 4ª estavam no Passo de Futa. A captura de Monticelli, 3.000 jardas à esquerda, e do Monte Altuzzi, um pico de aproximadamente a mesma altitude à direita, forçaria o rompimento através do Passo de Il Giogo.

Dois batalhões do 363º Regimento de Infantaria, da 91ª Divisão dos EUA, começaram a minuciosa subida da encosta ocidental de Monticelli no dia 13, sob fogo pesado de morteiros e disparos de armas leves. A vanguarda de uma força de combate do Quinto Exército, que somava mais de 260.000 homens, foi às vezes reduzida, devido ao terreno difícil e a um inimigo determinado, para não mais do que um punhado de soldados agarrados a uma montanha.

Uma companhia foi parada pela artilharia alemã. Sob a escuridão, um oficial e seis voluntários rastejaram para a frente para identificar a posição inimiga. No dia seguinte, um preciso fogo de contrabateria de 155 mm da artilharia americana silenciou o inimigo. Quando uma companhia de tropas americanas avançou e capturou cinco alemães atordoados, eles conseguiram a primeira penetração do centro da Linha Gótica.

Operações Aliadas em direção à Linha Gótica (cor vermelha), em agosto de 1944.

Medalhas de Honra na Linha Gótica

As tropas alemãs de elite Fallschirmjäger lançaram vários contra-ataques violentos. Durante um deles, o Sargento Joseph Higdon Jr. saltou de sua posição com uma metralhadora leve. Disparando com a arma postada no quadril, ele forçou os alemães a se retirarem, mas ficou gravemente ferido. Caiu 30 metros distante de sua própria linha, morrendo antes que a assistência médica pudesse alcançá-lo.

O soldado de primeira classe Oscar Johnson, membro de uma guarnição de morteiros, assumiu o papel de fuzileiro quando a munição foi exaurida. Os outros seis membros do seu grupo foram mortos ou feridos na tarde de 16 de setembro. Johnson recolheu armas e munições de seus companheiros caídos e manteve sua posição durante a noite. Sua citação da Medalha de Honra diz: “Na noite de 16 a 17 de setembro, o inimigo lançou seu ataque mais pesado à Companhia B, colocando sua maior pressão contra o defensor solitário do flanco esquerdo.

Apesar dos disparos de morteiros que caíram sobre ele e dos projéteis de metralhadora que chicotearam a crista de sua trincheira rasa […] Johnson ficou firme e repeliu o ataque com granadas e disparos de armas leves dos camaradas abatidos. Ele permaneceu acordado e alerta durante toda a noite, frustrando todas as tentativas de infiltração. Em 17 de setembro, 25 soldados alemães se renderam a ele […] Vinte alemães mortos foram encontrados à frente de sua posição.

A Johnson foi dado o crédito do abate de mais de 40 soldados inimigos, enquanto 150 alemães jaziam mortos na frente da Companhia B, que teve 75% de baixas e sua força efetiva reduzida para 50 homens, antes de a posição de Monticelli ser assegurada no dia 18.

Enquanto o 363º Regimento lutava, o 338º capturou Monte Altuzzo após cinco dias de luta severa. Três divisões americanas sofreram um total de 2.731 baixas em seis dias. Por fim, na noite de 17 de setembro, o general Joachim von Lemelson ordenou ao I Corpo Paraquedista a desocupação da Linha Gótica. A guarnição do Passo de Futa também foi desmobilizada.

Durante um ataque diversionário, em 14 de setembro, que impediu os defensores alemães de moverem reforços do Passo de di Futa para o de Il Giogo, o 2º tenente Thomas Wigle do 135º Regimento de Infantaria, 34ª Divisão, foi atingido quando liderava um ataque perto de Monte Frassino, atraindo o fogo para si mesmo e permitindo que o seu grupos manobrasse sobre três paredes de pedra. Ele então correu para a primeira de três casas, expulsou os alemães, seguiu-os e os engajou.

Wigle foi mortalmente ferido nos degraus do porão na terceira casa, onde os soldados inimigos procuraram refúgio. Em poucos minutos, 36 alemães saíram do porão e se renderam. Wigle recebeu uma Medalha de Honra póstuma.


O segundo-tenente Thomas Wigle recebeu a Medalha de Honra postumamente, por atos heroicos, em 15 de setembro.
A coragem agressiva de Oscar Johnson (à esquerda, de frente para a câmera) lhe rendeu a Medalha de Honra, em 16 de setembro.

Desacelerado pelo mau tempo

Quando os blindados canadenses finalmente se lançaram na planície da Romagna, eles descobriram que o chão havia sido transformado em um atoleiro por uma chuva aparentemente interminável. Alexander esperava avançar além da linha de Pisa para Rimini, mas isso não aconteceu. Em 26 dias, o Oitavo Exército avançou apenas 30 milhas. “As planícies tão esperadas, pelas quais ferozmente lutamos”, escreveu ele em um despacho, “[estavam] entupidas de lama e transbordando cursos d’água.”

Clark pesava suas opções no Passo Il Giogo, decidindo que um avanço secundário para Ímola poderia apoiar o Oitavo Exército, que lutava ao norte de Rimini, ao longo da Rodovia 9, cortando o recuo dos alemães. A 88ª Divisão dos EUA avançou pela estrada de asfalto até o Vale do Rio Santerno, antes de chegar a Ímola.

A luta dura em tempo severo produziu apenas sucessos limitados, pois os alemães reforçaram uma área vulnerável entre os 10º e 14º Exércitos. Batalhões das Divisões 362 e 44 do Reichsgrenadier defenderam Castel del Rio, mas os regimentos americanos conseguiram tomar vários picos na área, forçando os alemães a se retirarem. O 350º Regimento ocupou as proximidades do Monte Battaglia, defendendo-o contra os selvagens contra-ataques alemães.

O tempo terrível arrefeceu o ímpeto do IV Corpo, atrasando também os avanços do II Corpo e do XIII Corpo, a leste. O apoio aéreo foi reduzido, e a situação que o Quinto Exército enfrentava tornou-se bastante semelhante à do Oitavo Exército: a estagnação.Os alemães, por sua vez, aproveitaram a calmaria para empregar os reforços que dispunham.

Ciente de que o avanço em direção a Ímola havia causado o desvio de tropas alemãs da frente do Oitavo Exército, e que a tomada de uma única boa estrada na área poderia dar liberdade de movimento para as suas tropas, Clark abandonou o esforço de Ímola, redirecionando o ímpeto do Quinto Exército em direção a Bolonha.

No final do mês, Bolonha estava a apenas 30 km das posições da II Corpo, ao longo da Rodovia 65. Em Monte Battaglia, o Vale do Pó estava apenas 16 km distante das tropas britânicas. Contudo, três Divisões do XIII Corpo foram estendidas por 17 milhas no Vale de Santerno, enquanto o IV Corpo mantinha uma frente de 50 milhas. Nem americanos ou ingleses eram capazes de empreender um movimento rápido para a frente.

Ademais, o Comando viu a necessidade de tirar de linha a 1ª Divisão Blindada, para dar-lhe descanso. Assim, os alemães foram capazes de transferir tropas para os setores mais ameaçados de sua linha, enquanto a incerteza do clima de outono- inverno serviu de coringa para os seus planejadores operacionais.

Como tantas vezes ocorreram durante a campanha italiana, os objetivos dos exércitos Aliados pareciam tão próximos e ainda tão distantes. Clark observou que ele “podia ver pela primeira vez o Vale do Pó e os Alpes, cobertos de neve adiante. Pareceu-me que nosso objetivo estava muito próximo.

Olhando para o norte na estrada em ziguezague até o Passo Il Giogo, em 13 de setembro de 1944.

“Minhas forças são muito fracas em relação ao inimigo”

Na verdade, setembro foi um momento para o superior de Clark, general Alexander, fazer um balanço. Sua avaliação da situação confirmou o sentimento de frustração que sentia há algum tempo. A história oficial do Exército dos EUA na Segunda Guerra Mundial relata: “Embora setembro tenha visto tanto o Quinto e Oitavo Exércitos obterem ganhos impressionantes, rompendo a Linha Gótica […] ambos ainda estavam longe de seus objetivos originais de destruir o Décimo Exército (alemão) ao sul do Pó, empurrando-o para o norte do rio.

A piora do clima e o atrito das batalhas de setembro fizeram parecer, pelo menos para o General Alexander, que esses objetivos não poderiam ser conquistados em um futuro próximo.

A história do Exército dos EUA continua: “Em 21 de setembro, Alexander informou ao Chefe do Estado-Maior Imperial [Marechal de Campo Sir Alan Brooke] que, embora os exércitos Aliados na Itália tivessem infligido severas perdas ao inimigo, as perdas Aliadas também tinham sido pesadas. O comandante Aliado [Alexander] acrescentou que a natureza do terreno nas montanhas, bem como na planície da Romagna, exigia uma superioridade de três para um para o sucesso das operações ofensivas.

Como seus exércitos não alcançaram essa proporção em um futuro previsível, o general Alexander acreditava que a vitória decisiva na Itália não era mais possível antes do final do ano — uma conclusão que o Chefe de Estado-Maior do Exército dos EUA, general Marshall, havia alcançado em agosto.

Cinco dias depois, Alexander voltou ao mesmo tema em uma mensagem ao Comandante do Teatro, observando que ‘o problema é que minhas forças são muito fracas em relação ao inimigo, para forçar um avanço e fechar as duas pinças. O avanço de ambos os exércitos é muito lento para alcançar resultados decisivos, a menos que os alemães desmoronem, e não há sinal disso.


Fim da primeira parte do artigo (condensado) de Michael E. Hasken.

O mau tempo e a falta de efetivos brecaram o avanço Aliado, permitindo que o Exército Alemão realocasse seus efetivos, montando novas posições defensivas. Foi nesse ambiente desfavorável que a FEB entraria em linha, em meados de setembro de 1944.

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