No dia 23 de abril de 2026, em Pistoia, na Itália, uma cena singela emocionou brasileiros de diferentes gerações. Durante a cerimônia realizada no Monumento Votivo Militar Brasileiro, o jovem italiano Lorenzo cantou, em português, a histórica “Canção do Expedicionário”, símbolo eterno dos pracinhas da Força Expedicionária Brasileira (FEB) que combateram o totalitarismo na Segunda Guerra Mundial.
O momento rapidamente repercutiu nas redes sociais. Não apenas pela beleza da homenagem, mas pelo contraste doloroso revelado: um menino italiano conhece, canta e honra a memória dos soldados brasileiros, enquanto grande parte da juventude do próprio Brasil sequer sabe que o país lutou na guerra.
As reações foram imediatas e profundamente emocionadas. Filhos e netos de ex-combatentes compartilharam relatos familiares, nomes de veteranos, memórias guardadas há décadas e o orgulho daqueles que carregam no sangue a herança da FEB. Muitos recordaram que seus pais e avós combateram na Itália, atravessaram o inverno dos Apeninos, enfrentaram fogo inimigo e ajudaram a libertar cidades inteiras do domínio nazista.
Memória desigual da Força Expedicionária Brasileira
Entre lágrimas e gratidão, repetia-se uma mesma constatação: a Itália não esqueceu da luta e do sacrifício dos expedicionários brasileiros na Segunda Guerra Mundial.
Em diversas cidades italianas libertadas pelos brasileiros — como Montese, Fornovo, Castelnuovo e tantas outras — a memória dos pracinhas ainda é cultivada. Monumentos são preservados. Cerimônias continuam sendo realizadas. Crianças aprendem sobre aqueles soldados vindos de tão longe para lutar pela liberdade de um povo estrangeiro.
Enquanto isso, no Brasil, cresce a percepção de abandono da própria memória histórica — e até da sua propria destruição. Em Juiz de Fora, a prefeitura do município tomou uma atitude aviltante e surreal. Transformou um monumento dedicado aos heróis da Pátria em botequim, renomeando a praça onde ele se encontra (Praça do Riachuelo) em homenagem a um obscuro militante socialista. No melhor estilo de uma nação bananesca, consta da destinação oficial dos recursos a “revitalização dos monumentos”. O caso foi denunciado ao Ministério Público de MG.
Muitos comentários expressaram tristeza ao perceber que a participação brasileira na Segunda Guerra Mundial raramente recebe destaque nas escolas, nos meios culturais ou nos debates públicos. Para inúmeros brasileiros, o gesto de Lorenzo serviu como um espelho desconfortável: um país estrangeiro parece compreender melhor a importância da FEB do que a própria nação que enviou seus filhos à guerra.
A “Canção do Expedicionário”, composta por Guilherme de Almeida e Spartaco Rossi, não é apenas uma música militar. Ela carrega a saudade, o sacrifício e a esperança de milhares de jovens brasileiros que deixaram suas famílias para enfrentar o maior conflito da história humana. Cada verso traduz o espírito daqueles homens que cruzaram o Atlântico sem saber se retornariam vivos.
E talvez seja exatamente isso que tenha tocado tantas pessoas ao ver Lorenzo cantar.






A continuidade da memória
Não era apenas uma criança interpretando uma canção em português, mas a continuidade da memória. A gratidão atravessando gerações. Eis a prova de que os feitos da FEB ainda sobrevivem no coração daqueles que conheceram, direta ou indiretamente, o valor da liberdade conquistada com sangue.
O episódio também reacendeu uma discussão importante: o que acontece com uma nação que abandona seus próprios heróis?
Povos que esquecem sua história acabam perdendo parte de sua identidade. Carecem de raízes profundas capazes de sustentá-los em períodos de tormenta — talvez seja esse o propósito sibilino dos responsáveis pelos currículos escolares.
A memória histórica não existe para alimentar guerras ou divisões políticas, mas para lembrar sacrifícios, valores e exemplos humanos que ajudaram a construir o presente. Os pracinhas brasileiros representam coragem, disciplina, solidariedade e espírito de dever — virtudes que transcendem qualquer ideologia.

Em meio aos comentários, uma verdade permaneceu acima de todas as divergências: o respeito pelos pracinhas que lutaram na Itália, durante a Segunda Guerra Mundial, continua vivo. Talvez o menino tenha protagonizado a homenagem mais espontânea e sublime à memória da FEB nas festividades do Dia da Vitória.
E talvez essa seja a maior lição deixada por Lorenzo naquele dia em Pistoia.
Mais de oitenta anos depois da guerra, um menino italiano lembrou ao Brasil que a memória ainda importa.
7 responses to “Quando a Itália se lembra mais da FEB do que o próprio Brasil”
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[…] enviadas por Giovanni Sulla, membro do Grupo Storico Fratelli Sulla Montagna, registrando as atividades ocorridas em Montese, Gaggio Montano, Pistoia e outras […]
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DESDE A CHAMADA “REDEMOCRATIZAÇÃO” HÁ UM CAMPANHA SISTEMÁTICA DE DESVALORIZAR A ÁREA MILITAR, A NOSSA HISTÓRIA MILITAR, E EU, COMO HISTORIADOR E PROFESSOR, CONTINUO LUTANDO CONTRA A MARÉ, E FALO SEMPRE SOBRE A FEB. OS ITALIANOS DÃO EXEMPLO ENQUANTO NO BRASIL SE TRABALHA PELO APAGAMENTO/ESQUECIMENTO E/OU DESINFORMAÇÃO. NOSSOS FEBIANOS SEMPRE SERÃO, CONTRA TUDO E CONTRA TODOS, HERÓIS BRASILEIROS; E ITALIANOS.
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A memória no Brasil inexiste. Só podemos ter orgulho do que vemos e ninguém consegue modificar isso.
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Ele sabe que a família existe graças ao padrinho FEBIANO. Gostaria de conhecer a história da família dele.
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De fato foi muito lindo. E assim vamos levando nossa história com o que dá para fazer…triste o qu4 acontece em Juiz de Fora.
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Desculpe não consegui ler tudo. Minhas lágrimas não deixam.
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A História é a sistematização da memória que molda a identidade cultural de um povo. Portanto, precisamos resgatar memórias e histórias e o “Memorial da FEB” contribui sobremaneira para que nosso orgulho de sermos brasileiros nunca seja esquecido! Parabéns pela iniciativa!

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