Legado musical
O quadro seria ainda pior, caso não fossem as associações de veteranos, mantidas por meio dos recursos pessoais dos ex-combatentes. Essas associações serviram ao longo dos anos como referência na manutenção da memória febiana. Apesar do pouco caso da sociedade em geral, uma música ligada à memória da Força Expedicionária Brasileira resiste à passagem do tempo. Trata-se da Canção do Expedicionário, que o nosso site orgulhosamente oferece em sua versão original (1944).
Embora tenha sido a FEB a nossa última experiência bélica, contendo inestimáveis ensinamentos para as Forças Armadas — seja na mobilização ou no combate propriamente dito — passados quase 70 anos da entrada do Brasil na guerra, por incrível que pareça, ainda não existe uma entidade oficial, civil ou militar, encarregada especificamente da pesquisa, guarda e preservação do seu acervo material. Ainda falta uma entidade que sirva de referência para a doação dos acervos pessoais dos veteranos e de suas associações. Quase todas elas já estão fechadas — ou em vias de — face a avançada idade dos veteranos remanescentes.
Num país como o Brasil, tradicionalmente avesso à preservação da sua história e cultura, é natural que a memória dos eventos históricos se perca na poeira do tempo. Mesmo a participação brasileira na Segunda Guerra Mundial, ocorrida quase na metade do Século XX, quando já se dispunha do cinema, do rádio e da fotografia para o seu registro, possui um legado audiovisual muito aquém do seu potencial. E o mais grave: boa parte desse legado se esvai para o ralo. Felizmente, a Canção do Expedicionário resistiu ao tempo e tornou-se um símbolo nacional.



Faltam recursos?
Curiosamente, em 2008, enquanto o museu da Casa da FEB — o principal museu da FEB na Região Sudeste — fechava as suas portas por falta de recursos para a manutenção, a União Nacional dos Estudantes (UNE) recebeu trinta milhões de reais em recursos do governo federal para a reconstrução da sua sede, no bairro do Flamengo. Por sinal, originariamente o local não lhe pertencia, mas à Sociedade Germânia. Era um clube de imigrantes alemães, fundado em 1929, e desapropriado por decreto pela ditadura Vargas, em 1942, quando da entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial.
Coube à iniciativa privada, por meio das empresas Tecnolach, Mobilazh, Sparch e Printech, do Grupo CHG, a missão de proporcionar a associação os meios materiais necessários. Assim, reformou o Museu da FEB segundo um moderno e arrojado projeto que objetiva a perpetuação desta importante instituição. O volume de material histórico que certamente já foi para a lata do lixo, ou para a mão de colecionadores particulares, ao longo das décadas, é incomensurável. É também irreversível. Felizmente, de todo o legado audiovisual da FEB, a parcela que talvez tenha sido mais preservada foi o seu legado musical. Destaca-se, em especial, a Canção do Expedicionário.
A Canção do Expedicionário, obra que encabeça esse legado, é o verdadeiro Hino da FEB. Chegou ao público em outubro de 1944, na oportunidade em que três dos cinco escalões febianos já estavam na Itália. Em setembro, os pracinhas já tinham recebido o batismo de fogo.
O autor da Canção do Expedicionário
A música é do maestro Spartaco Rossi e o poema de Guilherme de Almeida. São versos maravilhosos que retratam os valores do homem brasileiro que vai lutar, levando no coração a saudade da Pátria. Guilherme de Almeida aproveita nomes e versos de canções e expressões de uso corrente nessa genial criação. É uma canção militar de inspiração inusitada. Quando ia ser impressa, o maestro Spartaco Rossi mandou um pedido aos irmãos Vitale, para que o primoroso poema de Guilherme de Almeida fosse publicado na íntegra. Isso aconteceu, assim eternizando a Canção do Expedicionário na história.







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