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“As Manifestações Anti-Eixo se multiplicaram pelo país. Os estudantes, tiveram o mérito de deflagrarem as lutas contra as forças alienígenas infiltradas no país”, consta no texto de um o MEMOREX da história da UNE. Em 18 de agosto de 1942, houve uma grande comício organizado pela UNE no centro do Rio de Janeiro. Os estudantes lideravam um protesto contra os afundamentos dos navios mercantes brasileiros, contra o nazi-fascismo e em favor da democracia. “Queremos a Guerra”, diziam os cartazes. O Correio da Manhã, de 19 de agosto, registrou o evento, reproduzido no MEMOREX da UNE.

Até onde o discurso e prática andaram juntos?

Manifestações contra o Eixo
Fotografia de uma das muitas manifestações populares organizadas pela UNE durante a Segunda Guerra Mundial.

Discurso x prática

memorex UNE
Estudantes da UNE
Professores e estudantes de Direito discursam nas escadarias do Theatro Municipal, em 18 de agosto de 1942.

As manifestações

Professores e estudantes dos cursos de Direito se revezaram em discursos inflamados na escadaria do Theatro Municipal. A ditadura atendeu os desejos da massa estudantil em 31 de agosto, declarando o Estado de Guerra. Foram suspensas as garantias constitucionais, o direito ao habeas corpus, à liberdade de expressão e de escolha de profissão, de associação e de reunião, à livre circulação no território nacional, à inviolabilidade do domicílio, da correspondência e da propriedade. Além disso, detenções policiais poderiam ocorrer sem culpa formada. Também foi estabelecida a pena de prisão perpétua e suspenso o artigo 137 da Constituição, que tratava da legislação básica referente ao trabalho.

Na prática, as medidas aniquilaram o pouco que restava da democracia no Estado Novo, atingindo, sobretudo, o trabalhador de algumas indústrias e empresas consideradas essenciais para o esforço de guerra, ao extinguir o limite da jornada de trabalho semanal dos operários.

Já quanto aos estudantes que pediram a guerra, poucos foram atingidos por tais medidas autoritárias. Um número ínfimo dos que estavam nesssas manifestações se apresentou voluntariamente para servir à FEB. Menos ainda embarcaram para o front, após convocados, pois fizeram uso de “pistolões” e artifícios variados, comuns à privilegiada elite acadêmica.

Querer a guerra é diferente de querer lutar nela.

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Fonte das imagens: Arquivo Nacional

Saiba mais em: Guerreiros da Província

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3 respostas a “Queremos a Guerra? O discurso e a prática”

  1. […] – seja na mobilização ou no combate propriamente dito – passados quase 70 anos da entrada do Brasil na guerra, por incrível que pareça, ainda não existe uma entidade oficial, civil ou militar, encarregada […]

  2. […] da África para Nápoles em plena viagem. Como os americanos registraram o comportamento dos nossos pracinhas durante as duas semanas a bordo? O que realmente aconteceu nessa jornada […]

  3. Avatar de CLEBER ALMEIDA DE OLIVEIRA
    CLEBER ALMEIDA DE OLIVEIRA

    Algo mais próximo dessa situação de que me lembro, nesse momento, é a citação de Mark Twain “Palavras sobre a guerra, de pessoas que estiveram numa guerra, são sempre interessantes; palavras sobre a lua, de um poeta que nunca esteve na lua, têm toda a probabilidade de serem enfadonhas”.
    Atenciosamente,
    CLEBER ALMEIDA DE OLIVEIRA – PROFESSOR / DELEGADO FAHIMTB / PESQUISADOR CEPHIMEX / SÓCIO CORRESPONDENTE IGHMB / INSTITUTO INTERNACIONAL DE HISTÓRIA MILITAR (UNESCO)

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